MAIS SOBRE A MÚSICA

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 8 de maio de 2017 às 09:23
  • Modificado em 29 de outubro de 2020 às 23:57
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IGUAL AO JOÃO, DE “DESAFINADO”

Acho que nunca falei nada de mim mesmo aqui no nosso cantinho…

Pois bem, vamos sair da lata !

Sou do tipo que já frequentou diversas escolas, desde que encarei o cantar como um dos meus ofícios. Muitas, mesmo !  Tô falando de escolas musicais, maneiras de entoar, dividir, enfim, jeito de cantar.

Quando era bem molequinho, gostava de ouvir e tentar imitar Altemar Dutra, Moacyr Franco, Agnaldos Rayol e Timóteo…Até o italiano Baniamino Gigli e outros da Península, entravam na minha pauta. Era uma época em que o rádio tocava muito, também, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Roberto Carlos e outros que não me chamavam muito a atenção em se tratando de “cantar igual”. Pra mim e pra muita gente que me rodeava, cantar teria que ser aquilo : vozes encorpadas, fortes, às vezes até agressivas. Tom Jones foi outro que me inspirou, tanto que um dos maiores sucessos nos bailes que animei com a primeira banda em que cantei, a Banda Batman, foi “She’s a Lady”, um rock-lamê, como diria o saudoso Wille Mayer, gravação do superstar inglês, que exigia um bocado de garganta.

Ah, depois teve também “Love is All”, do também britânico romântico Malcolm Roberts. Esse tipo de interpretação exigente, vibrante, me encantava. Até que meus ouvidos começaram a se abrir e senti a necessidade de conhecer novas salas de aula. E aí vieram, além dos Beatles, Creedence Clearwater Revival e tantos outros, que me exigiam ajeitar o timbre pro rock’n’roll que ia além de Elvis Presley. Até que percebi que não sabia cantar em falsete. Era só na garganta, mesmo ! Eis que surge o sucesso “If”, do grupo Bread, cujo vocalista era David Gates, de voz aguda e suave. Aí o bicho pegou, até que consegui arrancar as notas em falsete . Ufa ! E por aí foi. Alias, fui. Veja você que consegui, até, tirar uma onda de Louis Armstrong…Eh, eh, eh ! Fica até mais ou menos, minha imitação.

O primeiro tranco que tomei foi do Mestre Laércio Piovesan, quando passei por sua orquestra, que me convenceu a aprender a cantar sem vibrato. É, sem dar aquelas tremidas no final da frase. Tipo Milton Nascimento…Pode até ser, mas não em todas as músicas… Acho que assimilei bem a informação, como bom aluno que sempre tentei ser.

Bebi em diversas fontes, do brega ao chique, do samba ao forró, do bolero ao swing e até sertanejo.

Quando convivi com o saudoso Jessé, em São Paulo, nos anos 70, a onda era cantar super agudo, coisa que ele fazia com maestria e a gente até se arriscava. Só que, igual a ele, só outro dele !

Mas confesso que queria mesmo é aprender a cantar igual ao João Gilberto…É, o da música  “Desafinado” (de Tom Jobim e Newton Mendonça), que, de desafinado, não nada de nada !

Basta prestar atenção em “Samba de Uma Nota Só”, “Águas de Março”, “Meditação”, “Farolito”, “O Pato”, etc., etc., etc..

João quase sussurra, emitindo com clareza todas as notas que tem a música, sem esticar, fazer curva, malabarismo ou agredir os ouvidos de quem tá na platéia. Tá certo que ele é exigente, chato, obsessivamente perfeccionista. Dizem que, pessoalmente, chega às raias do excentrismo e da falta de educação. Nessa questão eu não entro, não. Gostaria de aprender sua técnica de interpretar, inclusive, com aquela divisão tão analisada e discutida.

Não tem ninguém que se compare ao João : tocar violão e cantar dividindo como ele faz. Pra saber do que estou falando, só ouvindo ! Ouça o João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, o de “Desafinado”, e depois me diga!


Foto: Liga Entretenimento/Divulgação

3 CURTAS SOBRE A MÚSICA

1. Antes de se tornar famoso, João Gilberto, no início dos anos 50,foi crooner de um grupo chamado Garotos da Lua. Foi demitido por não ser pontual nos compromissos do grupo.

2. A música “Viagem”, um dos clássicos da MPB, tem como autores João de Aquino (música) e Paulo César Pinheiro (letra). Impregnado de extremo lirismo, o poema original tem quase cinqüenta versos e foi escrito quando Pinheiro tinha apenas 14 anos.

3. Sting, que atuou com a banda The Police até o ano de 1983, após lançar-se em carreira solo já vendeu mais de 100 milhões de discos e recebeu 16 prêmios Grammy, por seun trabalho.

Fontes : “A Canção no Tempo”, de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello e

               “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”.    

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*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.