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Fila de espera por UTI em Franca tem 30 pacientes com Covid no PS municipal

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 11 de maio de 2021 às 15:00
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Falta de leitos afeta 22 cidades da Diretoria Regional de Saúde 8, da qual Franca é sede. Ministério Público cobra do estado adoção de providências

Moradores de Franca à espera de atendimento no Pronto-Socorro Álvaro Azzuz – foto Jefferson Severiano / EPTV

 

Chega a 30 o número de pacientes com Covid-19 internados no pronto-socorro municipal Álvaro Azzuz, em Franca, na última segunda-feira (10), que aguardam vaga de unidade de terapia intensiva (UTI).

São dez pessoas a mais do que no domingo (9).

Segundo a coordenadora de enfermagem do pronto-socorro, Clara Cayeiro Cruz, a situação é muito preocupante.

No início de maio, a unidade voltou a atender apenas casos de coronavírus, por causa do aumento da demanda.

“A nossa quantidade de leitos que nós ofertamos aqui no pronto-socorro para atendimento e observação dos pacientes está 100%. Temos 100% dos leitos ocupados e isso é muito preocupante.”

Um dos pacientes à espera de UTI é Wagner de Souza Faria, de 55 anos. Ele está internado desde sábado (8) e precisa ser transferido para um hospital.

“Ele estava com uma tosse seca há muitos dias, muito sono, muita dor no corpo. O médico falou para mim que o quadro dele é muito perigoso, que ele tem que ir direto para a UTI e, até agora, não foi. Qual mãe que não fica doida com isso aí, né?”, diz Maria Luiza Lombardi, mãe de Wagner.

Do total de pessoas que aguardam um leito de terapia intensiva, quatro estão intubadas no pronto-socorro.

Outros nove pacientes precisam de vagas de enfermaria.

“São pacientes que demandam atendimento da enfermagem direto no leito e que podem, sim, agravar a qualquer momento. São pacientes que estão instáveis”, afirma Clara.

Hospital de referência para os 22 municípios que integram a Diretoria Regional de Saúde (DRS) 8, da qual Franca é sede, a Santa Casa opera nesta segunda-feira com 37 UTIs, todas ocupadas.

Na enfermaria, há apenas uma vaga livre das 24 oferecidas.

Os médicos dizem que dois fatores têm colaborado para o aumento das internações em Franca: O clima seco e a variante brasileira do coronavírus, a P.1.

“Franca é uma cidade mais alta e a gente tem níveis muito baixos de umidade do ar. Isso faz com as doenças se transmitam muito mais fácil do que as outras nesta época do ano”.

“Nossas defesas das vias aéreas diminuem, porque a mucosa desidrata. Isso fica mais vulnerável”.

“A variante tem quadros muito agressivos, muito mais difícil o controle do que a primeira forma de vírus do ano passado. Isso requer mais medicamentos, mais tratamento e cuidados intensivistas” , explica o médico da Vigilância Epidemiológica de Franca, Homero Rosa Junior.

Ministério Público pede providências para região

Por causa da gravidade da epidemia de Covid-19 em Franca, o Ministério Público encaminhou uma recomendação administrativa à DRS 8 para que providências sejam adotadas, em um prazo de 72 horas, a fim de garantir atendimento à população.

“O não atendimento da presente recomendação dará ensejo à adoção das providências judiciais e extrajudiciais que se fizerem necessárias para que o direito à vida, à saúde e, bem assim, as normas jurídicas e técnicas sejam adequadamente observadas, sem prejuízo de eventuais responsabilizações no âmbito administrativo, cível e criminal.”

Segundo os promotores de Justiça de nove cidades que assinam o documento encaminhado ao estado, no domingo (8), apenas uma vaga de UTI SUS estava disponível para a região que tem 700 mil habitantes.

No mesmo dia, 25 pacientes esperavam pelo encaminhamento da Central de Regulação de Oferta e Serviços de Saúde (CROSS) para um hospital.

Os promotores afirmam que o aumento na demanda por leitos ocorre após o governo do estado flexibilizar as medidas de contenção da pandemia mesmo diante da alta taxa de ocupação nos hospitais da região.

Desde o dia 12 de abril, a região de Franca, assim como o restante do estado, está na fase de transição do Plano São Paulo, que permite a abertura do comércio e de outros serviços, como restaurantes, salões de beleza e academias.

O grupo afirma que o estado deixou de aplicar recursos para estruturar o atendimento em UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) na região, o que colabora para o colapso.

No mês passado, a Santa Casa de Igarapava (SP), cidade que integra a DRS 8, chegou a fechar os leitos por falta de verbas.

O documento consta ainda que por causa da falta de leitos na região, pacientes em estado grave chegaram a ser transferidos para Bauru e Promissão, e que mesmo assim, a DRS de Franca enfrenta problemas para levá-los aos hospitais por falta de ambulâncias.

*Informações G1


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