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Depois de invadir museus e galerias, grafite vira obra de arte nas residências

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  • Publicado em 1 de novembro de 2016 às 13:31
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:00
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Por causa dos traços agressivos e da origem marginal, o grafite atrai um público mais irreverente

Renegados por muito tempo nos muros das cidades, há alguns anos o grafite – pintura de mensagens e desenhos em muros das cidades – deixou de ser visto como vandalismo e ganhou maior aceitação na paisagem urbana brasileira. Conquistou até mesmo o status de arte com as figuras coloridas e irreverentes de grafiteiros como Alex Vallauri e Celso Gitahy expostas em galerias e museus. Os artistas passaram a receber inúmeras encomendas para cobrir com pichações e grafismos cenários para desfiles de moda, fachadas de lojas e paredes de casas noturnas. E agora, estão sendo chamados para decorar casas e apartamentos. Pintam diversos temas que vão de figuras conhecidas da arte pop a imagens abstratas na sala, no quarto, na cozinha e até no banheiro. Além de original, fica bonito. É por isso que muita gente em Franca tem preferido a mais supostamente marginal das artes a óleos sobre tela, gravuras e fotografias. “O grafite é pura expressão artística e hoje no mundo todo e também em nossa cidade, estampa além de muros, paredes de residências de forma decorativa, criativa, moderna e atual”, observa a designer de interiores Bete Fernandes, da Cenographica.

Por causa dos traços agressivos e da origem marginal, o grafite atrai um público mais irreverente. Afinal, é preciso uma dose de coragem para decorar uma parede inteira com desenhos fortes. Mas o grafite também combina com móveis convencionais e chega a dar força ao paisagismo, se colocado no jardim. “O grafite tem características marcantes e bem expressivas, portanto deve ser usado com cuidado para não carregar demais um ambiente ou torná-lo menor do que já é”, orienta Bete, acrescentando ser melhor aplicá-lo em áreas bem iluminadas e grandes, de forma a criar um conceito único com as demais peças do ambiente, promovendo um estilo próprio para que o desenho faça parte do espaço e não o polua. “Em uma parede num home cinema ou sala de jogos, o grafite traz irreverência. No quarto de um adolescente cria identidade. Na área de lazer ou mesmo nos muros internos da residência, cria formas e cores decorando e inovando o conceito de obra de arte”, destaca a designer de interiores, revelando que Franca já conta com profissionais que executam esse tipo de trabalho, como o grafiteiro Rica Marcondes.

Cuidado na escolha

A ousadia da pintura de rua sempre surpreende quando usada na decoração. Por isso, Bete é categórica ao afirmar ser importante avaliar o estilo de cada ambiente, o tipo de desenho a ser feito, as cores, entre outras coisas. “Por se tratar de um grafismo com muitos detalhes e cores, ele pode se tornar cansativo e poluir o ambiente ao invés de agradar. É como uma tatuagem para as paredes: é preciso escolher bem o local e a imagem a ser reproduzida”, explica.

O grafite é, por origem, uma arte de rua questionadora e rebelde. A primeira cidade brasileira a acordar com os muros grafitados foi São Paulo durante a década de 70. As mensagens e imagens eram uma forma de protesto político e de intervenção artística. Hoje o grafite é uma maneira de ocupar o espaço público e de expressar a cidade como um lugar coletivo, permitindo-se ainda passear pelo mundo da moda através de estampas em roupas e acessórios, sem deixar de lado o status de obra de arte conquistado. E é com essa desenvoltura que a arte muito conhecida pelos seguidores do hip hop caiu definitivamente no gosto dos francanos.