Acidentes dentro de casa exigem calma e conhecimento; especialistas explicam as atitudes corretas e os erros que colocam vítimas em risco
Crianças e idosos são os mais vulneráveis, por isso é essencial que os adultos saibam agir em caso de acidentes domésticos (Foto Arquivo)
Acidentes domésticos acontecem sem aviso: uma queda no banheiro, um gole de produto de limpeza ou um engasgo durante a refeição.
Crianças e idosos são os mais vulneráveis, por isso é essencial que os adultos saibam prestar primeiros socorros e mantenham à mão os números de emergência: 192 (SAMU), 193 (Bombeiros) e 190 (PM).
Atuação em quedas
Ao presenciar uma queda, não mova a vítima. Avalie consciência, respiração e possíveis dores no pescoço ou nas costas. Mesmo que ela consiga se mexer, isso não descarta fraturas. Em caso de dúvida, acione o socorro.
Emergências graves: quando cada segundo conta
Parada cardíaca
A vítima pode desmaiar, perder o pulso e respirar de forma irregular. Ligue para o serviço de emergência e inicie a RCP com compressões firmes no centro do peito (100 a 120 por minuto). Use o desfibrilador (DEA) se disponível, seguindo as instruções.
Choque elétrico
Nunca toque na pessoa enquanto a energia estiver ligada. Desligue a fonte e afaste fios com objetos isolantes (madeira, plástico ou borracha). Só então avalie a respiração e consciência e, se necessário, inicie compressões torácicas.
Acidentes comuns: como agir na hora
Queimaduras
Remova acessórios da área afetada e lave com água corrente fria por até 20 minutos. Cubra com pano limpo. Não use gelo, pasta de dente, manteiga nem receitas caseiras.
Procure atendimento quando houver queimaduras profundas, extensas ou em regiões sensíveis.
Cortes e sangramentos
Lave o local com água e sabão e comprima com gaze ou pano limpo. Para sangramentos graves nos membros, utilize torniquete entre 5 e 7 cm acima do ferimento, anotando o horário da aplicação.
Não remova objetos encravados e evite algodão.
Engasgos, desmaios e intoxicações
Engasgo
Para adultos e crianças conscientes, as Diretrizes da AHA recomendam alternar 5 golpes nas costas e 5 compressões abdominais (Heimlich) até expulsar o objeto.
Se houver perda de consciência, inicie RCP. Em bebês, usam-se 5 golpes nas costas e 5 compressões no peito com dois dedos.
Desmaio
Sente ou deite a vítima, eleve as pernas (se não houver trauma) e afrouxe roupas apertadas. Não jogue água, não sacuda e não ofereça líquidos. Aguarde até que recobre a consciência.
Envenenamento
Jamais provoque vômito. Lave a boca da vítima, identifique a substância e vá ao hospital. Não ofereça líquidos. Em caso de dúvida, acione o Centro de Informações Toxicológicas: 0800 722 6001.
Picadas, animais peçonhentos e afogamento
Picadas de insetos
Lave o local e aplique compressa fria. Se houver ferrão, remova sem apertar. Procure ajuda imediata em caso de falta de ar, inchaço no rosto ou mal-estar — sinais de anafilaxia.
Animais peçonhentos
O único tratamento é o soro antiveneno no hospital. Mantenha o membro afetado abaixo do nível do coração e imobilizado. Não faça torniquete, cortes, sucção ou aplicações caseiras.
Afogamento
Só entre na água se souber nadar. Caso contrário, ofereça objetos flutuantes para ajudar no resgate. Se a vítima estiver inconsciente e sem respirar, inicie compressões torácicas e ligue 192 ou 193.
Situações de frio extremo e crises convulsivas
Hipotermia
Remova roupas molhadas e aqueça a pessoa gradualmente, sempre começando pelo tronco. Nada de água quente, aquecedores próximos ou bebidas alcoólicas.
Convulsão
Afaste objetos, proteja a cabeça e não coloque nada na boca da vítima. Após a crise, vire-a de lado e deixe-a descansar. Chame ajuda se durar mais de 5 minutos, houver crises repetidas ou se for a primeira vez.