Criar filhos mentalmente saudáveis é atender às necessidades emocionais

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 30 de maio de 2018 às 00:21
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:46
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Crianças, assim como adultos, têm necessidades e desejos – pais precisam compreender a diferença

O ser humano tem
enorme facilidade de transformar desejos (o que quero) em necessidades (o que
preciso). É por isso que é importante que entendamos a diferença entre
necessidades e desejos.

Podemos dizer que as necessidades são básicas à
sobrevivência de qualquer ser humano. As necessidades estão na base da famosa
pirâmide descrita por Abraham Maslow, onde encontramos, além das necessidades
fisiológicas como a alimentação, a hidratação e o descanso, as necessidades
emocionais e afetivas. Por outro lado, os desejos não são necessários à nossa
sobrevivência. Podem ser coisas que ansiamos e nos motivam, mas sua consecução
não coloca nossa vida em risco.

Por outro lado, as
necessidades apontadas por psicólogos especialistas em desenvolvimento infantil
e relacionamento familiar, mostram que os pais e/ou família devem atender a
algumas necessidades dos filhos para que eles sejam mental e emocionalmente
saudáveis.

A seguir, veja as 15
necessidades emocionais e afetivas de toda criança e adolescente (também
podemos incluir os adultos, evidentemente). Quanto mais ações você realizar com
seus filhos para satisfazê-las no dia a dia, melhor:

1- Demonstrar carinho

Todos os dias devemos dizer a nossos filhos o quanto
os amamos, como sentimos sua falta no trabalho e como estamos orgulhosos de
como são. Isso é fundamental para uma boa autoestima. Não basta pensá-lo,
devemos dizê-lo e agir em consequência disso. Se hoje você não disse a seu
filho que o ama, tente fazer com que seja a primeira coisa a dizê-lo quando o
vir.

2- Ensiná-los a regular as emoções

A ideia de que as crianças precisam de tempo de qualidade com
seus pais sem que a quantidade importe é falsa.

Como uma pessoa se transformou em um grande
cirurgião e desempenha tão bem sua profissão? A chave está em ter um grande
professor e em muitas horas de dedicação. O mesmo acontece com a regulação
emocional. As crianças precisam que seus pais lhes ensinem a identificar e
gerir suas emoções. A partir daí tudo vai melhorando em função da experiência.
O problema ocorre quando os pais não sabem regular suas próprias emoções. Se
eles não sabem, como irão ensinar seus filhos. Dificilmente. Por isso, se você
tem alguma dificuldade em gerir suas próprias emoções, procure ajuda antes de
ensinar a seu filho. Se queremos que nossos filhos no futuro sejam capazes de
autorregular suas emoções, é imprescindível que agora que são pequenos regulemos
suas emoções, ou seja, que aprendam a regular suas emoções com nossa ajuda.

3- Tempo de qualidade e quantidade

A ideia de que as crianças precisam de tempo de
qualidade com seus pais sem que a quantidade importe é completamente falsa. As
crianças precisam de muito tempo de convivência com seus pais (quantidade) e
com dedicação máxima (qualidade). Não é estar somente no mesmo quarto e lugar
que eles, mas com dedicação exclusiva (brincadeiras, tarefas divididas, lição
de casa, passatempos, etc.).

4- Oferecer segurança e proteção

As crianças precisam de uma estimulação suficiente e adequada.
Passado esse mínimo de estimulação, não se conseguem maiores aprendizagens

Uma criança não pode se sentir segura se nunca foi
protegida. Proteger nossos filhos quando sentem medo, temor, raiva e tristeza é
nossa função. Se alguma vez você não o fez, recomendo que a partir de agora
ajude e acalme seu filho sempre que ele experimentar alguma emoção desagradável
e que não saiba lidar por si só.

5- Sintonia emocional

É imprescindível que estejamos em sintonia emocional
com nossos filhos, ou seja, que atendamos, legitimemos e conectemos com as
emoções que estão experimentando. Assim, por exemplo, um pai estará em sintonia
emocional com seu filho quando, diante de uma situação concreta, este lhe
mostrar seu medo e raiva, e o pai compreender e atender o que se passa com seu
filho. Consiste em estar receptivo diante das necessidades da criança. É como
conectar por Wi-Fi nosso hemisfério direito, que é o emocional, com seu
hemisfério direito. 

6- Responsividade

Quando estabelecemos limites e os explicitamos a nossos filhos
estamos dizendo a eles “eu te amo”

A responsividade é a parte que vem na sequência da
conexão emocional. Para poder ser responsivo, para não dizer responsável,
precisa se conectar emocionalmente com seu filho, se não será impossível. A
responsividade consiste em dar à criança o que ela precisa. Não consiste em
realizar seus caprichos, mas em realizar e cobrir suas necessidades. Como
dizíamos no começo, as necessidades não são negociadas uma vez que são
imprescindíveis à sobrevivência. A mãe ou pai que é responsivo é aquele que dá
à criança aquilo que ela realmente precisa. Se diante de uma briga do filho com
um amigo ele se mostra preocupado e nós lhe dizemos que não enrole mais e vá
fazer a lição de casa que é o que importa, não estamos sendo responsivos porque
não estamos atendendo sua necessidade. Costumamos ser responsivos habitualmente
com nossos filhos? Dedique alguns segundos pensando sobre isso.

7- Assumir o papel de pai e mãe

Os pais não são amigos de seus filhos. Também não
são seus criados, mas às vezes pode parecer. Somos seus pais, e devemos assumir
o papel que isso significa. Estamos realmente exercendo o papel de pais ou às
vezes nos comportamos como colegas de nossos filhos?

8- Estabelecer limites claros

Uma das obrigações dos pais é implantar uma série de
normas e limites no contexto familiar. Os filhos precisam de regras. É algo tão
necessário como saudável. Imaginam uma cidade sem semáforos e sem placas de
trânsito? Não seria um verdadeiro caos? Acontece a mesma coisa com as crianças.
Precisam saber até onde podem chegar e qual é seu perímetro de segurança.
Quando estabelecemos limites e explicitamos aos nossos filhos estamos lhes
dizendo “te amo”. Coloco limites porque te amo e me importo com você.
Refletiram sobre a quantidade de limites que existem em sua família? São
muitos, poucos ou inexistentes? É recomendável pensar sobre isso.

9- Respeitar, aceitar, valorizar

Quando respeitamos, aceitamos nossos filhos como são
e os avaliamos positivamente, estamos olhando incondicionalmente para eles.
Demonstramos que nosso amor para com eles é incondicional, ou seja, não depende
de nada. Amamos os filhos por quem eles são e não pelo que fazem e deixam de
fazer. Estamos olhando nossos filhos incondicionalmente ou nosso amor para com
eles depende de algo (resultados acadêmicos, comportamento, atitude, etc.)?

10- Estímulo adequado

Há alguns anos, ficou em moda a hiperestimulação das
crianças. Levávamos os jovens de um lugar a outro para “espremê-los” ao máximo
cognitivamente falando. Precisávamos aproveitar o tempo e a plasticidade
cerebral antes que essas janelas se fechassem. Hoje em dia sabemos que as
crianças precisam de uma estimulação suficiente e adequada. Passado esse mínimo
de estimulação, não se conseguem maiores aprendizagens, mas exatamente o
contrário: exigências, estresse e hiperestimulação

11- Favorecer a autonomia

Dizíamos antes que a primeira característica do
apego seguro era a proteção. Pois bem, a outra face da moeda da proteção e
segurança consiste em favorecer a autonomia, o que é a mesma coisa, favorecer
sua curiosidade e seu espírito aventureiro e explorador. Viemos a esse mundo
com a emoção da curiosidade no kit de sobrevivência, o que nos faz ter muita
vontade de aprender coisas novas. É de vital importância, não só que os pais
achem bom que os filhos sejam curiosos, mas que os convidem a fazê-lo.

12- Sentido de pertencimento

Para o ser humano e para muitos outros mamíferos é
de vital importância sentir-se parte de um grupo. Já viram nos documentários de
quais são os lugares que os filhotes mais jovens ocupam? Geralmente costumam ir
no centro, ou seja, no lugar de maior segurança e proteção. Daí vem a
importância do grupo e da manada. O fato de se sentir parte de um grupo ou de
vários aumenta as probabilidades de sobrevivência. Uma das características das
crianças que sofrem assédio na escola é a sensação de não pertencer a nenhum grupo.
É muito importante que os filhos pertençam, no mínimo, de um grupo, senão de
mais. Pais estão fazendo um bom trabalho para favorecer o âmbito social dos
filhos? Esse âmbito é tão importante quanto o acadêmico, não? 

13- Favorecer a capacidade reflexiva da criança

A capacidade reflexiva se refere a pensar sobre o
que nos acontece, como estamos fazendo, como nos sentimos, nossa evolução e
progressos, etc. É importante que os pais ajudem os filhos a aprender a pensar
sobre as emoções que sentem, o que pensam, como se comportam, etc. Também é um
trabalho muito interessante para nós como adultos.

14- Identidade

Ao longo dos primeiros meses e anos de vida, ocorre
um processo de diferenciação entre o bebê/criança e a mãe, já que no começo o
pequeno não o faz. Com o passar do tempo devemos favorecer nas crianças essa
identidade própria que nos diferencia do restante das pessoas.

15- Magia

A magia é um dos mecanismos mais fortes que as
crianças têm. Os adultos costumam chamar de autoengano. Tudo o que tem a ver
com a magia, o oculto, o divino e o fantasioso é algo que cativa todas as crianças.
O que um mistério significa é algo que “encanta” as crianças. E isso não deve
ser destruído, mas compartilhado, explicado e vivido entre pais e filho.


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