Covid-19: fevereiro é o mês com mais mortes em Franca desde o início da pandemia

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 26 de fevereiro de 2021 às 07:30
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Segundo a Vigilância Epidemiológica de Franca, até a última quinta-feira (25), foram 61 registros durante o mês

Leitos de UTI Covid no AME, em Franca - crédito da foto: Jefferson Neves/ EPTVLeitos de UTI Covid no AME, em Franca – crédito da foto: Jefferson Neves/ EPTV

 

Dados da Vigilância Epidemiológica de Franca apontam que fevereiro já é o mês com mais mortes por Covid-19 em Franca desde o início da epidemia.

De acordo com o boletim, foram 61 registros até quinta-feira (25). Até então, o número mais alto havia sido registrado em setembro de 2020, quando 59 pessoas morreram.

Filha de um pastor evangélico de 52 anos, que morreu sete dias após os primeiros sintomas, Rebeca de Martins Moraes diz que o pai seguiu todas as recomendações para prevenir a doença, mas acabou sendo infectado.

“Meu pai tomou todos os cuidados, ele não ia em aglomeração, não ficava sem máscara, não saía sem necessidade, e ele pegou Covid e morreu”.

“Às vezes a pessoa está sem sintoma, não está sentindo nada, mas pode levar para avó, mãe, pai. Qualquer um está arriscado a pegar a doença e morrer. Pensem mesmo no próximo”, diz.

Doença rápida

Irineu de Moraes Júnior tinha pressão alta e diabetes. Ele começou a apresentar sintomas no dia 8 de fevereiro.

Segundo a família, um dia depois, teve falta de ar, tosse e cansaço. Buscou atendimento no pronto-socorro municipal, onde fez o teste, foi medicado e liberado.

Segundo Rebeca, o quadro respiratório do pai teve piora no dia 11 de fevereiro e ele retornou ao pronto-socorro.

“O médico pediu uma chapa e já tinha dado 50% do pulmão comprometido. Os médicos de antes não estavam querendo passar antibiótico e a medicação prescrita do Covid por conta de não ter o teste [resultado] ainda. Mas o teste demora cinco dias para ficar pronto.”

Com a saturação em 66%, Irineu foi transferido do pronto-socorro para o Hospital do Coração, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu no dia 16 de fevereiro.

“Eu recebi uma ligação do médico falando que meu pai não tinha resistido, que ele tinha tido uma parada cardiorrespiratória e não tinha dado nem tempo de intubar. O quadro teve uma piora muito rápida em menos de 23 horas.”

Sem despedida

A mãe de Rebeca também contraiu o vírus. Nem ela e nem a filha puderam ir ao velório e ao enterro.

“O Covid não permite essa despedida. Meu pai foi tirado da gente de uma forma muito abrupta. Eu não acredito até agora que meu pai faleceu. A dor é extremamente grande.”

Ao ver fotos e vídeos do pai, Rebeca se emociona. Ela encontra conforto nas palavras do próprio Irineu para seguir em frente.

“Meu pai ensinou a gente a amar a Deus sobre todas as coisas, que a gente tinha que ver o lado bom das coisas, inclusive da morte. Eu tenho fotos dele só rindo e muito alegre. Ele viveu a vida plenamente.”

Acompanhamento

Franca soma 19.187 casos de Covid e 329 mortes desde o ano passado.

No primeiro bimestre de 2021, a cidade enfrentou um colapso na rede hospitalar com a falta de leitos de UTI.

Por causa da subida nas internações, a cidade ficou quatro semanas na fase vermelha do Plano São Paulo, apenas com serviços essenciais em funcionamento.

“Especialmente em Franca e na nossa microrregião, aumentou realmente o número de mortes e em uma proporção razoável”.

“Isso tem muito de contaminação de casos acontecidos ainda em janeiro, que demoraram a serem computados e a serem notificados por outros municípios que receberam alguns francanos e infelizmente foram a óbito”, diz o médico da Vigilância Epidemiológica de Franca, Homero Rosa Júnior.

O especialista afirma que o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 monitora a chegada da nova cepa em Franca.

“Teoricamente, vai realmente circular aqui, não tem como fugir disso. Nossos vizinhos, Uberaba, Ribeirão Preto, Araraquara, já têm identificado a variante há algumas semanas, então não há motivo para a gente imaginar que ela não vá chegar até Franca. A gente tem que acompanhar.”

Rosa Júnior acredita que o toque de recolher noturno determinado pelo governo do estado, a partir desta sexta-feira (26), pode ajudar a reduzir o número de casos e mortes.

“É esperado que caia o número de positivos justamente entre as pessoas que saem à noite, que ficam sem máscara, em aglomerações e isso multiplica muito a quantidade de casos. Deve haver um recuo na quantidade nas semanas posteriores.”

*Informações G1


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