Combate à asma depende de controle contínuo para paciente ter uma vida plena

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 2 de maio de 2026 às 09:00
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Pneumologista desmistifica a doença como sazonal e destaca a importância do diagnóstico precoce para a saúde pulmonar

Com a chegada do Dia Mundial de Combate à Asma, lembrado no dia 05 de maio, a Profa. Dra. Patrícia Macedo Bernardino, Pneumologista e docente do curso de Medicina da Unifran, alerta para a importância do diagnóstico precoce e do manejo contínuo da asma, com o intuito de desmitificar a ideia de que a doença é apenas sazonal ou se manifesta somente em crises.

Segundo ela, a asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias que afeta milhões de pessoas globalmente, mas seus sintomas muitas vezes são subestimados ou confundidos com outras condições.

“Os principais sinais de alerta que indicam que uma pessoa pode ter asma incluem falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, principalmente à noite ou ao acordar, e sensação de aperto no peito”, explica a Dra. Patrícia.

Esses sintomas podem ser intermitentes e piorar com esforço físico, exposição à poeira, mudanças de clima ou infecções respiratórias.

Subdiagnóstico

A especialista ressalta que a asma pode surgir em qualquer idade, não sendo exclusiva da infância. “Em adultos, muitas vezes é subdiagnosticada porque os sintomas são atribuídos a sedentarismo, ansiedade ou outras condições”, afirma.

O diagnóstico precoce é fundamental, pois permite iniciar o tratamento adequado antes que a doença evolua, evitando a inflamação contínua das vias aéreas e a piora progressiva da função pulmonar.

“Com o diagnóstico correto, conseguimos controlar os sintomas, reduzir crises e proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente”, completa.

Asma: uma condição crônica que exige cuidado contínuo

Uma percepção comum, mas equivocada, é a de que a asma seria uma condição ‘sazonal’ ou que requer atenção apenas durante as crises. A especialista desmistifica essa ideia.

“A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias, o que significa que a inflamação está presente mesmo quando o paciente está sem sintomas. Por isso, o tratamento contínuo é essencial, atuando no controle dessa inflamação, prevenindo crises e evitando agravamentos”, detalha.

A falta de tratamento adequado e regular pode levar a sérias complicações a longo prazo. “Quando o paciente trata apenas os episódios agudos e não faz o uso regular das medicações de controle, a doença tende a se tornar mais instável”, adverte a pneumologista.

Os riscos incluem crises graves que exigem atendimento de urgência, hospitalizações, limitação das atividades do dia a dia e uma perda progressiva da função pulmonar. Há também um impacto direto na qualidade de vida, no sono e até na produtividade no trabalho.

Qualidade de vida plena com o tratamento adequado

A boa notícia é que, com o tratamento e acompanhamento médico adequados, a perspectiva de qualidade de vida para pacientes com asma é extremamente favorável.

“Atualmente, com o tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes com asma pode levar uma vida completamente normal. Isso inclui praticar atividades físicas, trabalhar, estudar e ter uma rotina sem limitações significativas”, assegura a Dra. Patrícia.

Para alcançar esse controle, a adesão ao tratamento é um pilar fundamental.

“O controle da asma depende principalmente de três pilares: uso correto das medicações prescritas, especialmente os inaladores, acompanhamento médico regular e identificação de fatores que desencadeiam as crises, como poeira, mofo, fumaça ou mudanças bruscas de temperatura”, explica a docente.

Avanços importantes

É crucial que o paciente não interrompa a medicação ao se sentir melhor, pois isso pode levar à perda do controle da doença.

A medicina tem avançado significativamente nesse campo. “Felizmente, houve avanços importantes nos últimos anos. Hoje contamos com medicações inalatórias mais eficazes e seguras, além de tratamentos modernos, como os imunobiológicos, indicados para casos mais graves”.

A especialista conclui dizendo que “esses avanços têm permitido um controle muito mais eficiente da doença, reduzindo crises e melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes”.


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