Legislação brasileira exige autorização familiar para doações de órgãos; diálogo aberto e o uso da nova Autorização Eletrônica facilitam o processo
Entenda como funciona a doação de órgãos no Brasil, a importância de avisar a família, o papel da nova AEDO digital e o que pode ser doado (Foto Arquivo)
No Brasil, a decisão de se tornar um doador de órgãos envolve um passo fundamental que vai muito além da vontade individual: comunicar a família.
Campanhas de conscientização reforçam constantemente a importância desse diálogo, já que a legislação atual exige o consentimento dos familiares para que a captação seja efetivada, independentemente de qualquer documento deixado em vida.
Antigamente, a tarja de “doador de órgãos” podia ser impressa na carteira de identidade, mas essa prática foi abolida pela Lei nº 10.211, de 2001, perdendo a validade legal. Hoje, o que prevalece é a autorização documentada dos parentes após a confirmação da morte encefálica.
Por Que o Diálogo com a Família é Decisivo?
A recusa familiar ainda representa um dos maiores obstáculos no país, resultando na perda de potenciais doadores e no aumento das filas de espera para transplantes.
Sem uma conversa prévia, familiares abalados pelo luto e inseguros sobre o desejo do ente querido costumam optar pela negativa.
Por isso, o primeiro e mais importante passo é conversar abertamente com sua família, explicando seus motivos e deixando claro o seu desejo de salvar vidas. Isso retira o peso da incerteza sobre os ombros dos parentes em um momento de extrema dor.
O Papel da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO)
Para formalizar a vontade em vida, foi criada a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). Trata-se de um documento digital oficial emitido em cartório cujo registro é integrado ao Sistema Nacional de Transplantes, permitindo a consulta rápida por profissionais de saúde.
Atenção: embora a AEDO não substitua o aval da família perante a lei, ela funciona como uma evidência robusta e oficial do seu desejo, facilitando o entendimento dos parentes.
O Que Pode Ser Doado?
A doação pode acontecer de duas formas:
Doadores falecidos (após morte encefálica): Podem ser doados coração, pulmões, fígado, pâncreas, rins, intestino, córneas, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e tendões. Um único doador pode salvar ou transformar a vida de até oito pessoas;
Doadores vivos: Permitido para órgãos duplos ou regeneráveis (como um dos rins, parte do fígado ou pulmão, além da medula óssea), preferencialmente para familiares (doações para não parentes exigem autorização judicial prévia).