Prótese peniana mal posicionada pode comprometer a penetração e exigir reoperação

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 8 de setembro de 2026 às 19:00
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Dispositivo é alternativa consolidada para a disfunção erétil, mas resultado depende da avaliação anatômica e técnica cirúrgica

Homens que sofrem de disfunção erétil e não respondem adequadamente a outras intervenções têm na prótese peniana um recurso para obter a rigidez necessária para a função sexual.

No entanto, problemas relacionados ao posicionamento e à fixação do dispositivo são descritos na literatura médica e podem levar à necessidade de reoperação. Nesses casos, o implante pode apresentar instabilidade ou deslocamento, comprometendo a rigidez e a funcionalidade.

Um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine em 2019 mostrou que mais de um quarto das primeiras reoperações de próteses penianas analisadas estava relacionado a causas técnicas, como correção de má posição ou herniação (extrusão) do dispositivo.

Os autores concluíram que mudanças na técnica cirúrgica, no posicionamento do dispositivo e nos cuidados perioperatórios podem ajudar a reduzir essas causas de reoperação.

Anatomia individual

Para evitar complicações, o médico urologista Dr. Paulo Egydio pontua que um bom implante depende, além do cuidado com diversas variáveis, da avaliação da anatomia individual do paciente e da experiência do cirurgião.

“Não é só introduzir um cilindro dentro do pênis, é uma questão de engenharia, de biomecânica. O cirurgião precisa conhecer cada cilindro fora do corpo e como eles funcionam, o estudo laboratorial, pois é necessário escolher conforme a anatomia de cada paciente”, resume.

Implante até a extremidade do corpo cavernoso evita a síndrome da glande caída

A síndrome da glande mole ou caída é uma das possíveis complicações relacionadas ao posicionamento da prótese peniana. Para reduzir esse risco, o especialista ressalta que o cilindro deve alcançar a extremidade distal do corpo cavernoso, antes da glande, funcionando como uma base de sustentação.

O Dr. Paulo compara a situação a um chapéu que se encaixa perfeitamente à cabeça. Nesse exemplo, a glande seria o “chapéu” do pênis e, por isso, a prótese precisa estar suficientemente firme para evitar instabilidade.

“Se houver algum caso de fibrose na extremidade, a região fica afinada e será impossível o cilindro chegar até essa ponta. Neste caso, será preciso reconstruir o calibre distal para que o cilindro mais calibroso chegue e a glande não fique caída”, pondera.

A escolha do calibre do cilindro também é importante. Segundo o especialista, embora um cilindro mais fino possa parecer mais fácil de posicionar na extremidade, ele pode oferecer menor sustentação, enquanto um componente mais calibroso traz mais firmeza.

Técnica cirúrgica

“Para garantir a simetria e fixação dos cilindros eu os firmo com fios na estrutura do pênis, evitando forçar a extremidade distal e prevenindo deslocamento e extrusão. Assim vamos ter uma glande firme, sem ficar caída e com boa resistência para a penetração, sem dobrar”, detalha o urologista.

A anatomia do pênis também influencia a escolha do tipo de prótese. Cilindros maleáveis, que não se expandem como os modelos infláveis, podem ser considerados em situações específicas, como quando há tecidos fragilizados, de acordo com a avaliação individual do paciente.

Posicionamento na base é essencial para a penetração

Outro problema que pode comprometer a penetração é a prótese que não foi posicionada e fixada adequadamente na base da pelve.

Em casos de estreitamento da região, pode haver necessidade de reconstrução da base para que os cilindros mantenham o alinhamento adequado até a extremidade.

“A simetria de um bom implante respeita a simetria dos corpos cavernosos e isso diz respeito à funcionalidade, para que fique bem posicionado e com maior resistência vertical”, define o Dr. Paulo.

Um exemplo prático do especialista é comparar essa ancoragem na base com a de um guarda-sol na praia. Quando mal fixado na areia, qualquer vento pode removê-lo. Se estiver bem firmado e profundamente ancorado, porém, permanece seguro para cumprir sua função.

Sem firmeza

“O implante precisa ir até a extremidade final dos corpos cavernosos, do contrário ele não terá firmeza. Mas, a partir do momento que ele chegou até o final e tem uma boa fixação do cilindro na base, o pênis ficará firme”, explica.

Assim como na extremidade do pênis, o calibre do cilindro também é considerado pelo especialista na avaliação da firmeza na base. “É preferível usar um cilindro mais grosso para eliminar ao máximo a possibilidade de instabilidade, objetivando a funcionalidade”, diz o urologista.

Embora a prótese peniana seja um recurso consolidado para o tratamento da disfunção erétil, o resultado não depende apenas da escolha do dispositivo.

O planejamento do procedimento, a adequação à anatomia e o correto posicionamento dos componentes são fatores que podem fazer diferença entre um implante funcional e a necessidade de uma nova intervenção.


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