Tarifas dos Estados Unidos e retração do mercado argentino pressionam indústria e acendem alerta entre fabricantes
As exportações brasileiras de calçados devem encerrar 2026 em queda, segundo projeções da Inteligência de Mercado da Abicalçados.
A estimativa aponta retração entre 4,1% e 8,9% nos embarques ao exterior, refletindo um cenário de incertezas regulatórias e dificuldades em importantes mercados internacionais.
Entre os fatores que mais preocupam o setor estão as tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos importados, além da possibilidade de novas sobretaxas que podem comprometer ainda mais a competitividade do calçado brasileiro no principal destino das exportações nacionais.
Outro elemento que pesa sobre as perspectivas da indústria é a forte retração observada no mercado argentino, historicamente um dos principais compradores do produto brasileiro.
A redução das vendas para o país vizinho tem impactado diretamente os resultados do setor ao longo do ano.
Embora mercados da América Central, Caribe e parte dos países da América do Sul tenham ampliado suas compras de calçados brasileiros, a avaliação da Abicalçados é de que esse crescimento tem funcionado.
Mas apenas como um mecanismo de compensação parcial, insuficiente para neutralizar as perdas registradas nos principais destinos exportadores.
O cenário gera preocupação entre os fabricantes de Franca, um dos maiores polos produtores de calçados masculinos do Brasil.
Com forte dependência da atividade industrial e da comercialização de calçados, a cidade acompanha com atenção os desdobramentos do mercado internacional.
Além das empresas do setor, a possível redução das exportações também acende um alerta para milhares de trabalhadores e profissionais ligados à cadeia produtiva calçadista, considerada uma das principais responsáveis pela geração de emprego e renda na região.
Diante das incertezas globais, o setor segue monitorando as negociações comerciais e o comportamento dos mercados internacionais, na expectativa de uma recuperação da demanda nos próximos meses e da manutenção da competitividade do produto brasileiro no exterior.