Celular nas refeições de família afeta o desenvolvimento emocional das crianças

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 21 de junho de 2026 às 07:30
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Mais de 75% dos pais e quase 70% das crianças usam smartphones ou tablets, diminuindo os benefícios emocionais do convívio

Estudo revela que mais de 75% dos pais usam celular durante as refeições, trocando a conexão real pelo isolamento individual (Foto Magnific)

 

Conciliar a rotina escolar dos filhos com o trabalho transformou o cotidiano das famílias em um complexo exercício de matemática mental. Entre treinos de futebol, aulas de dança e reforço, a noite chega sem que os membros da casa consigam se sentar juntos à mesa.

E, mesmo para as famílias que transformam o jantar compartilhado em realidade, um novo obstáculo silencioso ameaça a conexão: o uso massivo de smartphones e TVs durante as refeições.

Um estudo recente publicado no renomado periódico JAMA Pediatrics, que entrevistou mais de 350 pais, acendeu um alerta para o isolamento digital dentro do lar.

Mais de 75% dos adultos relataram o uso de mídias digitais durante a última refeição em família, sendo o smartphone o vilão mais comum. O comportamento é espelhado pelos filhos de 4 a 10 anos: quase 70% das crianças também passam o jantar vidradas em alguma tela.

Os pesquisadores comprovam que os jantares em família trazem inúmeros benefícios biológicos e psicológicos, como menores taxas de obesidade e redução do risco de uso de substâncias na adolescência. No entanto, os especialistas advertem que a comida em si não é o ingrediente mágico.

O verdadeiro valor do jantar está em proporcionar um espaço natural e previsível de acolhimento para compartilhar emoções. Quando os pais checam notificações constantemente, interrompem esse fluxo e diminuem os benefícios da interação.

O Declínio da Experiência Compartilhada

Historicamente, o consumo de mídias na hora das refeições envolvia telas grandes, como assistir a um programa de TV ou a um filme juntos, o que ainda abria margem para debates e risadas coletivas.

A revolução dos smartphones alterou essa dinâmica. O consumo compartilhado foi substituído pelo consumo individual: cada membro da mesa divide o mesmo espaço físico, mas habita um universo digital completamente isolado dos outros.

Como Adaptar a Rotina Sem Radicalismos

Como o tempo é escasso e as agendas são exigentes, psicólogos reforçam que a busca pela conexão familiar não precisa funcionar na base do “tudo ou nada”. Pequenas mudanças semanais promovem grandes impactos na saúde mental:

A Regra da Refeição Única: Se jantarem juntos todos os dias é impossível, determine apenas uma refeição sem distrações digitais por semana (seja um café da manhã ou almoço). Desligar as telas por 20 minutos foca a atenção na qualidade do tempo e no sentimento de pertença.

O Check-in de 5 Minutos: Uma “refeição em família” pode ser apenas dividir um lanche rápido no balcão da cozinha. O importante é manter o contato visual e conversar abertamente com a criança sobre como foi o dia dela.

Aliando-se à Tecnologia: Em dias cansativos, use as mídias a favor da união. Promover uma “noite do cinema com jantar” cria memórias afetivas leves e sem conflitos.

Fonte: CNN


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