Dormir com fones no ouvido impede ventilação natural e o cérebro do sono profundo

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 14 de março de 2026 às 21:00
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Hábito de vedar o canal auditivo durante a madrugada bloqueia a ventilação natural do corpo, facilita infecções fúngicas e impede o cérebro de atingir o sono profundo

Dormir com fones de ouvido pode aumentar risco de infecções, prejudicar o sono e causar perda auditiva, alertam especialistas (Foto Techminuto)

 

Dormir com fones de ouvido para ouvir música, ruídos brancos ou podcasts pode parecer um hábito inofensivo, mas médicos alertam que a prática pode trazer prejuízos à saúde auditiva e à qualidade do sono.

Segundo especialistas, manter o canal auditivo vedado por várias horas e expor o cérebro a estímulos sonoros contínuos durante a madrugada pode provocar desde infecções no ouvido até alterações hormonais relacionadas ao descanso.

As informações foram reunidas em entrevistas com especialistas e diretrizes médicas de instituições como a Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, e o portal médico EMC Health Care.

Risco de infecções no ouvido

De acordo com o otorrinolaringologista Tiago Felipe Vasconcelos Gonçalves, especialista em sono, o uso prolongado de fones intra-auriculares cria um efeito de oclusão no ouvido.

Esse bloqueio impede a circulação de ar no canal auditivo e favorece a retenção de calor e umidade, criando um ambiente propício para a proliferação de bactérias e fungos, o que pode resultar em otite externa.

Além disso, os fones podem interferir no mecanismo natural de limpeza do ouvido. A cera normalmente migra para fora do canal auditivo com os movimentos da mandíbula, mas a presença do fone pode impedir esse processo e empurrar o cerúmen para o fundo do ouvido.

Isso pode causar sintomas como zumbido, sensação de ouvido tampado e redução temporária da audição.

Pressão e dor na orelha

Outro problema apontado por especialistas é a pressão exercida pelo fone contra o travesseiro durante o sono.

Essa compressão prolongada pode provocar irritação na pele, inflamação da cartilagem e dor ao acordar. Em casos raros, a pressão contínua pode comprometer a circulação sanguínea na região e causar lesões nos tecidos da orelha.

Impactos na qualidade do sono

Além dos efeitos físicos, o estímulo sonoro constante também pode prejudicar a qualidade do sono.

Mesmo durante o descanso, o cérebro continua processando sons. Segundo especialistas, a exposição contínua a ruídos pode alterar a arquitetura do sono, reduzindo fases importantes como o sono profundo e o sono REM, essenciais para a recuperação física e mental.

A redução dessas fases pode resultar em fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade e pior desempenho cognitivo ao longo do dia.

Risco para a audição

Outro ponto de atenção é o volume do som. Exposição prolongada a níveis superiores a 85 decibéis pode causar fadiga auditiva e, em casos repetidos, evoluir para perda auditiva induzida por ruído, que é irreversível.

Muitos fones de ouvido comerciais podem atingir entre 95 e 108 decibéis no volume máximo, o que aumenta o risco quando utilizados por longos períodos.

Recomendações de segurança

Especialistas recomendam evitar dormir com fones intra-auriculares durante toda a noite. Para quem precisa de algum estímulo sonoro para relaxar, algumas medidas podem reduzir os riscos:

– usar caixas de som externas em vez de fones
– manter o volume baixo, próximo ao de uma conversa normal
– utilizar temporizadores para desligar o áudio após 20 ou 40 minutos
– seguir a chamada regra 60-60: usar o fone por no máximo 60 minutos e com até 60% do volume máximo

Segundo médicos, essas estratégias ajudam a reduzir o impacto do som contínuo e permitem que o cérebro alcance as fases mais profundas do sono.

Fonte: TechTudo

 


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