Acordar às 5h pode piorar seu desempenho e deixar decisões mais impulsivas; entenda

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 9 de março de 2026 às 19:30
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Para muitas pessoas, forçar o despertar matinal não é uma receita para o sucesso, mas sim para um pior desempenho e decisões mais impulsivas

Acordar às 5h não garante produtividade. Estudos indicam que dormir menos pode prejudicar desempenho e aumentar riscos à saúde (Foto Arquivo)

 

A ideia de acordar às 5 horas da manhã como fórmula para alcançar sucesso e alta produtividade se popularizou nas redes sociais e em livros de autoajuda.

A chamada rotina do “clube das 5 da manhã” ganhou destaque com relatos de executivos e celebridades que afirmam começar o dia ainda de madrugada.

No entanto, especialistas em sono afirmam que essa prática não funciona da mesma forma para todas as pessoas e pode, em alguns casos, prejudicar o desempenho e a saúde.

Diferenças no relógio biológico

Cada pessoa possui um cronotipo, que determina os horários naturais de maior disposição ao longo do dia. Algumas pessoas são mais ativas pela manhã, enquanto outras funcionam melhor à tarde ou à noite.

Essas diferenças são biológicas e parcialmente genéticas, e não apenas resultado de disciplina ou hábito.

Com o passar da idade, o organismo tende gradualmente a se tornar mais matinal. Ainda assim, essa mudança ocorre de forma natural e progressiva, e não pode ser acelerada apenas com esforço ou força de vontade.

Quando alguém força uma rotina que não corresponde ao próprio relógio biológico, pode surgir o chamado “jet lag social” — um descompasso entre o ritmo natural do corpo e as exigências do dia a dia.

Esse desequilíbrio pode afetar o metabolismo e aumentar riscos como resistência à insulina e problemas cardiovasculares.

O principal problema: dormir menos

O maior risco das rotinas extremas de madrugar não é acordar cedo, mas reduzir as horas de sono. A maioria dos adultos precisa dormir entre sete e nove horas por noite para manter o funcionamento adequado do organismo.

Quando a pessoa passa a acordar mais cedo sem antecipar o horário de dormir, acaba acumulando privação de sono.

O sono não é apenas descanso passivo. Durante a noite, o organismo realiza processos essenciais como:

– consolidação da memória;
– regulação das emoções;
– fortalecimento do sistema imunológico;
– equilíbrio metabólico.

Quando o tempo de descanso é reduzido de forma constante, aumentam fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e risco de problemas de saúde mental.

Além disso, as fases finais do sono são importantes para processar emoções, consolidar aprendizados e melhorar o julgamento. Ao reduzir o tempo de descanso, essas etapas podem ser prejudicadas.

Menos sono não significa mais produtividade

Outro mito comum é associar mais horas acordado a maior produtividade. Estudos mostram que um cérebro privado de sono tende a funcionar com mais impulsividade, menor capacidade de planejamento e pior tomada de decisões.

Ou seja, embora a pessoa possa começar a trabalhar mais cedo, o desempenho pode ser inferior ao de alguém que dormiu adequadamente.

Especialistas também alertam para a chamada “cultura da fadiga”, em que dormir pouco é visto como sinal de dedicação. Na prática, líderes e profissionais exaustos costumam apresentar maior irritabilidade, menor empatia e pior desempenho cognitivo.

Rotina ideal varia de pessoa para pessoa

Acordar cedo não é necessariamente um problema para quem se adapta bem a esse horário e mantém uma rotina de sono adequada.

O erro está em tratar a prática como uma regra universal para o sucesso, ignorando as diferenças biológicas entre as pessoas.

Segundo pesquisadores, o mais importante para o bem-estar e desempenho é manter uma rotina de sono regular e dormir o tempo suficiente.

Mais do que acordar antes do nascer do sol, a verdadeira vantagem pode estar em começar o dia com o cérebro realmente descansado.

Fonte: O Globo


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