Água com gás aumenta a pressão e é ‘veneno’? Veja o que é mito e o que é verdade

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 2 de março de 2026 às 12:00
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Vídeo que circula nas redes sociais afirma que a bebida aumenta a pressão e seria perigosa para hipertensos

O consumo de água com gás gera uma resposta fisiológica imediata de elevação da pressão, mas não altera a pressão arterial de forma crônica ou permanente (Foto Arquivo)

 

Um vídeo que viralizou recentemente afirma que a água com gás seria um “veneno”, capaz de aumentar a pressão arterial em 10 mmHg imediatamente após o consumo, funcionando como uma espécie de recurso de “primeiros socorros” para quem desmaiou.

No entanto, especialistas explicam que as afirmações precisam ser esclarecidas e que é necessário entender como isso funciona no corpo humano.

“Em resumo, as referências indicam que o consumo de água com gás gera uma resposta fisiológica imediata de elevação da pressão, mas não altera a pressão arterial de forma crônica ou permanente”, explica Érika Campana, presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

A pressão realmente sobe?

Sim, mas o contexto é fundamental. Qualquer ingestão de água, seja natural ou com gás, pode causar um aumento transitório da pressão arterial sistólica devido ao reflexo de deglutição, que ativa o sistema nervoso simpático.

No caso da água com gás, esse efeito pode ser um pouco mais acentuado por três fatores principais:

Carbonatação: O desprendimento do CO₂ na boca e na orofaringe estimula o sistema simpático.

Estímulo sensorial: A irritação do nervo trigêmeo causada pelas bolhas (estímulo nociceptivo) gera vasoconstrição periférica e aumento da pressão.

Temperatura: O efeito é ainda maior se a água estiver gelada (aproximadamente 4 °C), tanto para água natural quanto para água com gás.

Contudo, os médicos ressaltam que esse aumento ocorre por um tempo significativamente curto, com a pressão retornando ao normal em poucos minutos.

“O aumento de 10 mmHg pode acontecer a qualquer momento, seja por estresse ou exercício físico. O importante é o comportamento da pressão na média geral do dia a dia”, pontua Ricardo Kazunori, cirurgião cardíaco do Hospital Beneficência Portuguesa.

Hipertensos podem beber?

Não existem evidências robustas que proíbam hipertensos de consumir água com gás. O consumo gera uma resposta fisiológica imediata, mas não altera a pressão arterial de forma crônica ou permanente.

A recomendação da Dra. Érika Campana é de cautela em pacientes hipertensos, pois picos súbitos durante a ingestão podem, teoricamente, aumentar o risco de eventos cardiovasculares.

O termo “água morta” existe?

“Diferentemente do que sugere o vídeo, o termo “água morta” não é utilizado pela medicina, embora possa ser usado por algum médico ou profissional de saúde como algo que ele acredite não ser bom”, explica o cardiologista.

A água gaseificada mantém as propriedades de hidratação da água comum e é composta por H₂O, CO₂ e minerais como cálcio, potássio e sódio.

De acordo com Ricardo, a pressão oscila ao longo do dia e da noite, e um aumento de 10 mmHg pode ocorrer em situações de estresse ou exercício físico. Isso faz parte das respostas do organismo às adversidades.

O importante é o comportamento da pressão na média geral e sua tendência no dia a dia; por isso, a recomendação é medir com o paciente relaxado e antes das refeições, para não confundir a interpretação.

Fonte: G1


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