Especialista explica o impacto dos óleos essenciais no estresse, no humor e na regulação emocional, ampliando o uso no bem-estar.
A busca por métodos eficazes para reduzir a ansiedade, regular emoções e melhorar o bem-estar tem colocado a saúde mental no centro das discussões públicas.
Entre as abordagens complementares que ganharam força nos últimos anos, a aromaterapia se destaca por sua ação direta sobre o sistema olfativo e, consequentemente, sobre regiões cerebrais ligadas às emoções, como o sistema límbico.
Em um cenário marcado por estresse crônico, sobrecarga de trabalho e distúrbios do sono, compreender os mecanismos e benefícios dessa prática se tornou ainda mais relevante.
A Dra. Talita Pavarini, doutora em Enfermagem pela USP e especialista em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, atua há anos na formação de profissionais e no desenvolvimento de protocolos seguros de aromaterapia clínica.
Óleos essenciais
Sua pesquisa e experiência prática consolidam sua autoridade no tema, especialmente no uso dos óleos essenciais para promoção emocional e equilíbrio mental.
No campo científico, materiais recentes reforçam esse impacto. Um estudo publicado em 2024 analisou a influência da aromaterapia na redução de ansiedade e estresse percebido, apontando melhora significativa na regulação emocional dos participantes expostos a óleos essenciais calmantes, como lavanda e bergamota.
A pesquisa mostra ainda que a estimulação olfativa pode modular parâmetros fisiológicos relacionados ao estresse, como frequência cardíaca e atividade autonômica, sugerindo benefícios amplos para a saúde mental.
Além da atuação neurológica, a aromaterapia contribui para a criação de ambientes emocionalmente seguros, tanto em contextos domésticos quanto profissionais.
Estados de calma
Óleos essenciais com propriedades ansiolíticas, como camomila romana, cedro e vetiver, têm sido amplamente utilizados em práticas de relaxamento, rotinas de sono e intervenções integrativas voltadas à saúde mental.
De acordo com Talita, “a aromaterapia não resolve quadros psiquiátricos sozinha, mas pode potencializar estados de calma, presença e autorregulação quando integrada de forma responsável e baseada em evidências”.
O efeito rápido dos estímulos olfativos é um dos fatores que explicam a popularização da técnica. Diferentemente de outras vias sensoriais, o olfato possui conexão direta com o sistema límbico, o que favorece respostas emocionais imediatas.
Em momentos de crise de ansiedade, por exemplo, inalações profundas com óleos específicos podem auxiliar na redução da agitação e facilitar a retomada do controle respiratório.
Explicação
A doutora explica que “pequenas intervenções sensoriais, quando aplicadas com técnica, podem ajudar a reorganizar padrões de estresse e favorecer percepções de segurança emocional”.
A aplicação prática da aromaterapia no cuidado com a saúde mental é ampla e acessível. Difusores ambientais podem auxiliar na construção de rotinas mais leves em casa, enquanto inaladores pessoais oferecem suporte em situações de estresse agudo, como deslocamentos ou ambientes de alta demanda.
Óleos refrescantes como hortelã-pimenta e eucalipto também apoiam a clareza mental, o foco e a sensação de vitalidade, compondo estratégias complementares ao cuidado emocional.
Apesar dos benefícios, o uso adequado é indispensável. A qualidade do óleo essencial, a escolha da substância, a concentração e o método de aplicação determinam a eficácia e a segurança da prática.
Pessoas com alergias, asma, uso de medicações específicas ou condições psiquiátricas devem receber orientação profissional para evitar reações adversas. Isso reforça a importância de protocolos baseados em ciência e supervisionados por especialistas.