Procedimento simples, realizado em consultório, restaura a forma e a função do lóbulo da orelha, apresentando alta taxa de sucesso quando bem indicado e acompanhado
Alongamento ou ruptura do lóbulo acontece, geralmente devido a brincos pesados, traumas, envelhecimento da pele ou uso de alargadores (Foto Freepik)
A fissura do lóbulo — seja parcial (quando o furo se alonga) ou completa (quando o rasgo chega à borda) — é um problema frequente em quem usa brincos.
Pesquisas sugerem que entre 1% e 2% dos usuários apresentam algum grau de alongamento ou ruptura, geralmente devido a brincos pesados, traumas, envelhecimento da pele ou uso de alargadores.
Indicações principais para a cirurgia
– Fenda completa provocada por tração ou acidente
– Furo alongado que deixa o lóbulo fino e deformado
– Sequelas do uso prolongado de alargadores (“gauged lobes”)
– Reparo estético para quem deseja voltar a usar brincos com conforto
Como é realizada a lobuloplastia
O reparo, conhecido como lobuloplastia, é feito sob anestesia local, em consultório ou centro ambulatorial. O tempo da cirurgia varia de 20 a 60 minutos, conforme a gravidade da lesão.
O cirurgião remove as bordas cicatrizadas (“refresh”), ajusta o formato e fecha o defeito com pontos delicados.
Podem ser utilizadas técnicas diferentes: fechamento simples, Z-plastia para prevenir entalhes, L-plastia ou retalhos (“flaps”) nos casos de perda de tecido, especialmente em lobos alargados por piercings extensores.
Resultados e recuperação
A cirurgia devolve o contorno e a simetria ao lóbulo, com cicatriz geralmente discreta. A maioria dos pacientes retoma atividades leves no mesmo dia, desde que evite trações ou traumas no local.
A maturação da cicatriz ocorre em algumas semanas, e a perfuração para um novo brinco costuma ser liberada após 8 a 12 semanas, dependendo da espessura e da qualidade do lóbulo.
Riscos e complicações possíveis
– Cicatriz mais espessa ou irregular, entalhes e pequenas assimetrias
– Abertura dos pontos (deiscência), em caso de tração precoce ou infecção
– Recorrência do alongamento, se brincos pesados forem usados antes da cicatrização completa
– Quelóides ou cicatrizes hipertróficas, relatadas em até 2,5% das perfurações auriculares, principalmente em pessoas predispostas ou após a puberdade
Lóbulos alargados: abordagem especial
Nos casos de defeitos provocados por alargadores, o objetivo é preservar o máximo de tecido para evitar o achatamento do lóbulo.
Técnicas que utilizam retalhos e rotação (“rolling flap”) apresentam bons resultados, colaborando para restaurar o volume e o contorno da região.
Cuidados fundamentais para prevenir problemas
– Avaliação clínica e alinhamento das expectativas antes da cirurgia
– Planejamento do desenho, respeitando as linhas naturais do lóbulo
– Orientação sobre a importância de evitar peso e tração até a cicatriz estabilizar
– Adoção de medidas preventivas em pacientes com tendência a quelóide (como fitas de silicone ou corticoterapia local, quando indicado)
A correção do lóbulo fendido é uma intervenção de pequeno porte, porém com grande impacto estético e funcional.
Dominar técnicas cirúrgicas básicas e fornecer orientações precisas quanto aos cuidados e prazos ao paciente são essenciais para resultados consistentes e seguros.