Orelha rasgada: como é feita a cirurgia corretiva e quando ela é indicada

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 30 de setembro de 2025 às 18:00
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Procedimento simples, realizado em consultório, restaura a forma e a função do lóbulo da orelha, apresentando alta taxa de sucesso quando bem indicado e acompanhado

Alongamento ou ruptura do lóbulo acontece, geralmente devido a brincos pesados, traumas, envelhecimento da pele ou uso de alargadores (Foto Freepik)

 

A fissura do lóbulo — seja parcial (quando o furo se alonga) ou completa (quando o rasgo chega à borda) — é um problema frequente em quem usa brincos.

Pesquisas sugerem que entre 1% e 2% dos usuários apresentam algum grau de alongamento ou ruptura, geralmente devido a brincos pesados, traumas, envelhecimento da pele ou uso de alargadores.

Indicações principais para a cirurgia

– Fenda completa provocada por tração ou acidente
– Furo alongado que deixa o lóbulo fino e deformado
– Sequelas do uso prolongado de alargadores (“gauged lobes”)
– Reparo estético para quem deseja voltar a usar brincos com conforto

Como é realizada a lobuloplastia

O reparo, conhecido como lobuloplastia, é feito sob anestesia local, em consultório ou centro ambulatorial. O tempo da cirurgia varia de 20 a 60 minutos, conforme a gravidade da lesão.

O cirurgião remove as bordas cicatrizadas (“refresh”), ajusta o formato e fecha o defeito com pontos delicados.

Podem ser utilizadas técnicas diferentes: fechamento simples, Z-plastia para prevenir entalhes, L-plastia ou retalhos (“flaps”) nos casos de perda de tecido, especialmente em lobos alargados por piercings extensores.

Resultados e recuperação

A cirurgia devolve o contorno e a simetria ao lóbulo, com cicatriz geralmente discreta. A maioria dos pacientes retoma atividades leves no mesmo dia, desde que evite trações ou traumas no local.

A maturação da cicatriz ocorre em algumas semanas, e a perfuração para um novo brinco costuma ser liberada após 8 a 12 semanas, dependendo da espessura e da qualidade do lóbulo.

Riscos e complicações possíveis

– Cicatriz mais espessa ou irregular, entalhes e pequenas assimetrias

– Abertura dos pontos (deiscência), em caso de tração precoce ou infecção

– Recorrência do alongamento, se brincos pesados forem usados antes da cicatrização completa

– Quelóides ou cicatrizes hipertróficas, relatadas em até 2,5% das perfurações auriculares, principalmente em pessoas predispostas ou após a puberdade

Lóbulos alargados: abordagem especial

Nos casos de defeitos provocados por alargadores, o objetivo é preservar o máximo de tecido para evitar o achatamento do lóbulo.

Técnicas que utilizam retalhos e rotação (“rolling flap”) apresentam bons resultados, colaborando para restaurar o volume e o contorno da região.

Cuidados fundamentais para prevenir problemas

– Avaliação clínica e alinhamento das expectativas antes da cirurgia

– Planejamento do desenho, respeitando as linhas naturais do lóbulo

– Orientação sobre a importância de evitar peso e tração até a cicatriz estabilizar

– Adoção de medidas preventivas em pacientes com tendência a quelóide (como fitas de silicone ou corticoterapia local, quando indicado)

A correção do lóbulo fendido é uma intervenção de pequeno porte, porém com grande impacto estético e funcional.

Dominar técnicas cirúrgicas básicas e fornecer orientações precisas quanto aos cuidados e prazos ao paciente são essenciais para resultados consistentes e seguros.

Fonte: CNN