Análises de 600 mil crianças e revisão de milhares de casos mostram um elo entre a má qualidade do ar e maior incidência de otite média.
Estudos científicos recentes revelam uma correlação significativa entre a exposição a poluentes atmosféricos e o aumento da incidência de otite média aguda (OMA) em crianças, com destaque para os meses de inverno.
Em 2023, por exemplo, pesquisadores chineses publicaram o estudo “Efeitos da poluição do ar nas visitas de emergência por otite média aguda em crianças”, no qual analisaram mais de 13 mil crianças chinesas, mostrando que o ar poluído aumentam as chances de OMA, intensificando-se no inverno.
E em 2024, uma investigação publicada na revista BMC Environmental Science, a partir de dados de 22 anos de atendimento hospitalar, também constatou a relação entre a poluição, as gripes sazonais e a otite média aguda em crianças.
Inversão térmica
Os estudos demonstram que a exposição a poluentes como dióxido de enxofre (SO₂), dióxido de nitrogênio (NO₂) e a fumaça fina (PM2.5) deixa o sistema respiratório das crianças mais vulnerável.
Durante o frio, a situação se agrava por causa da inversão térmica, um fenômeno que concentra esses poluentes perto do solo, justamente onde circulamos.
O estudo realizado na China com quase 14 mil crianças mostrou que um pequeno aumento na concentração desses poluentes já eleva o risco de os pequenos precisarem de atendimento médico por conta da otite.
Mas como isso acontece?
A poluição inflama as vias respiratórias, incluindo a tuba auditiva, um canal que liga o nariz ao ouvido. Com a inflamação, a tuba auditiva não consegue mais fazer a “limpeza” da região, o que gera um acúmulo de líquido no ouvido médio.
Esse ambiente úmido e sem ventilação é perfeito para a proliferação de vírus e bactérias, causando a dor e o desconforto da otite.
Essas descobertas são um alerta para a importância de políticas públicas que visem a redução da poluição do ar. Cuidar do meio ambiente é também uma forma de proteger a saúde das nossas crianças.
Como prevenir e cuidar da saúde auditiva dos pequenos:
Evite a exposição à fumaça: Mantenha as crianças longe de ambientes com fumaça de cigarro ou poluição excessiva.
Lave as mãos: Incentive a lavagem frequente das mãos para evitar a propagação de germes que podem causar infecções respiratórias.
Amamentação: O aleitamento materno pode fortalecer o sistema imunológico do bebê, reduzindo o risco de infecções.
Vacinação em dia: Mantenha o calendário de vacinação atualizado, especialmente as vacinas contra gripe e pneumonia.
Evite o uso excessivo de cotonetes: A limpeza do ouvido deve ser feita apenas na parte externa. O uso de cotonetes pode empurrar a cera para dentro, causando problemas.
Atenção aos sintomas: Fique atento a sinais como dor de ouvido, febre, irritabilidade, dificuldade para dormir ou para ouvir. Procure um médico ao notar qualquer um desses sintomas.
Consulte o pediatra regularmente: O acompanhamento médico é fundamental para a saúde geral da criança, incluindo a auditiva.
Com pequenas atitudes, podemos proteger a audição das crianças e garantir um desenvolvimento saudável!