Além dos diferentes tipos de tecnologia dos aquecedores, é necessário estar atento à potência do produto para evitar problemas
Com as temperaturas mais baixas dos últimos anos registradas em diversas regiões do Brasil – com mínimas abaixo de zero em cidades do Sul e Sudeste –, muitos consumidores têm recorrido a aquecedores elétricos para aumentar a temperatura dos ambientes internos.
A variedade de modelos disponíveis exige atenção não apenas à tecnologia de aquecimento, mas também a aspectos como potência, voltagem e, principalmente, segurança no uso.
Segundo Fabio Sora, Coordenador de Operações na TÜV Rheinland, empresa autorizada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para realizar avaliações de conformidade destes equipamentos, um cuidado básico é adquirir um produto com a voltagem igual à tomada em que o aquecedor será plugado.
“Também é preciso avaliar a potência dos produtos, que variam de 800 a 1500 watts para aquecedores nos modelos ligados em tomadas de 110/127 volts e chegar até 2000 watts nos modelos plugados em tomadas de 220 volts”, explica o especialista.
Opções de escolha
O consumidor pode escolher entre os termoventiladores, halógenos, cerâmicos e a óleo. Nos termoventiladores o calor é gerado por meio de uma resistência elétrica e seu ventilador dissipa a temperatura do aparelho para o ambiente.
Nos aquecedores halógenos a resistência aquece filamentos halógenos, similares a lâmpadas. Já os modelos cerâmicos têm uma resistência revestida por cerâmica, por isso esquentam o ambiente mais rápido que os outros modelos.
Os aquecedores a óleo funcionam a partir de uma resistência que aquece o óleo em um recipiente interno do produto.
Mecanismos de segurança e para reduzir o consumo
O preço dos termoventiladores é, na maioria das vezes, inferior aos dos demais tipos de aquecedores. Mas, o preço do produto também é influenciado por outros fatores como sistemas de desligamento automático, caso o aparelho caia com a face para o chão, o que evita riscos de incêndio, e a presença de termostatos que regulam o funcionamento automático do aparelho.
Para aumentar a segurança do consumidor, os aquecedores elétricos precisam seguir os critérios e procedimentos de avaliação normatizados pela Portaria nº 148, de 28 de março de 2022 do Inmetro.
“Esta portaria visa a segurança e prevenção de acidentes no uso dos equipamentos, que passam por uma série de ensaios e avaliações realizadas por organismos acreditados que confirmam que o equipamento segue os requisitos estabelecidos pelo Instituto, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pela International Electrotechnical Commission (IEC), incluindo a IEC 60335-2-30:2021 (Ed. 5.2), que versa sobre a segurança de aparelhos para aquecer cômodos”, explica Sora.
Além do selo do Inmetro, que garante que o produto passou por testes de qualidade, o consumidor também deve observar a potência do produto na hora de escolher. “Aparelhos da mesma tecnologia e com maior potência podem aquecer um ambiente com mais velocidade, mas seu consumo também será maior”, alerta o especialista.
Cuidados no uso de aquecedores
A potência de um produto não está diretamente ligada ao seu tamanho. “Os termoventiladores possuem dimensões menores que um aquecedor a óleo, mas a potência dos dois pode ser de 1500 watts. Esta é a mesma potência de máquinas de lavar roupa ou de lavar louça”, explica o especialista.
Segundo ele, “um erro que o consumidor pode cometer é ligar um aquecedor em um filtro de linha ou um adaptador de tomada em que já estão conectados outros aparelhos. As pessoas não usam filtros de linha ou adaptadores para ligar uma máquina de lavar na rede elétrica e o mesmo cuidado deve ser observado na hora de conectar o aquecedor”.
Os aquecedores também reduzem a humidade do ar, logo, modelos com termostato que desligam de forma automática quando determinada temperatura é atingida evitam o aquecimento excessivo do ambiente.
Como o aquecedor reduz a humidade do ar em uma época do ano em que o ambiente é mais seco, pode ser necessário deixar uma bacia com água ou mesmo um humidificador no mesmo ambiente.
Carga elétrica
Também é importante evitar usar o aquecedor enquanto se toma banho. “Além do risco de choques elétricos, um chuveiro pode operar com até 7500 watts no inverno e ao ligar um aquecedor com 1500 watts na rede elétrica, a residência pode não suportar a carga, o que leva a uma simples queda do disjuntor ou no pior cenário o início de um incêndio. Nestes casos o aquecedor pode ser usado enquanto o cômodo estiver seco e retirado do ambiente antes do banho”, orienta.