Ele teria sequestrado o filho de 13 anos após este ter ido passar as férias escolares com ele nos EUA
Uma professora de 36 anos, moradora de Santa Rosa de Viterbo, distante 153,6km de Franca, acusa o ex-companheiro de sequestro internacional depois que o filho do casal, um adolescente de 13 anos, viajou durante as férias de julho para os Estados Unidos onde foi visitar o pai. Ele não retornou ao Brasil conforme o previsto. E desde então, Cheyenne Menegassi começou uma batalha para tentar conseguir trazer o filho de volta.
Desde o início de agosto nos EUA, Cheyenne aguarda a decisão judicial sobre o destino do filho e mobiliza uma campanha nas redes sociais para levar o menino de volta ao Brasil.Segundo ela, o ex-marido conseguiu um documento na Justiça americana que dá a ele a guarda emergencial do garoto.
A advogada da professora no Brasil, Camila Ghozellini Carrieri, denunciou o caso ao Ministério Público Federal e ao Ministério da Justiça, alegando que os dois países são signatários da Convenção de Haia, que prevê que a discussão da guarda ocorra no país onde mora o adolescente, no caso o Brasil.
Em nota, a Secretaria Especial de Direitos Humanos informou que foi feito um comunicado à Autoridade Central dos EUA, e que esta emitiu um ofício ao Tribunal do Tennessee, solicitando a interrupção do processo de guarda pelo pai, conforme previsto no artigo 16 da Convenção de Haia.
De acordo com a Secretaria, não se trata de uma discussão para definir quem deverá ficar com a criança e, sim, se essa foi ou não subtraída. “O local para se discutir guarda é sempre o da residência habitual da criança”, diz a nota.
O INÍCIO
A viagem do filho de Cheyenne começou no dia 27 de junho deste ano, quando ele embarcou sozinho para o estado americano do Tennessee, onde vive o pai, Samuel Gaskin. O garoto ficaria nos EUA até o dia 27 de julho, mas a falta de comunicação com o Brasil logo nas primeiras horas preocupou a mãe.
Gustavo Gaskin, de 13 anos viajou com autorização judicial e levou um tablet e um celular para manter contato com a família. Após 20 dias de tentativas frustradas de falar com o menino e com o pai dele, Cheyenne descobriu por meio de parentes de Samuel nos EUA que, há três anos, o ex-companheiro vive em isolamento com a mãe dele em uma fazenda, e que se tornou uma pessoa agressiva.
Dias depois, ao receber uma mensagem de Samuel avisando que Gustavo não voltaria mais, Cheyenne, finalmente, conseguiu falar com o ex-marido e o filho, mas as poucas conversas que tiveram foram monitoradas pelo pai, que a todo tempo demandava que o menor respondesse para ele em inglês o que estava sendo falado.
Cheyenne chegou aos EUA no dia 3 de agosto. Antes disso, foi preciso ir à Justiça para legitimar a guarda de Gustavo no Brasil e denunciar o caso às autoridades.
Há quase um mês em Summertown, no Tennessee, Cheyenne só pode ver o filho uma vez, no dia em que houve uma audiência. Segundo a advogada, o menino está privado de contato com o restante da família e com os amigos, não frequenta a escola e está psicologicamente abalado.
A advogada da professora acrescentou ainda que o ex-marido dela não paga pensão ao filho há 11 anos, e nunca se interessou pela vida do menino, embora Cheyenne jamais tenha feito oposição ao convívio.