Assassinos da jovem que teve seu bebê retirado à força são presos em Minas

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  • Publicado em 26 de agosto de 2016 às 08:57
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:55
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Greiciara Belo Vieira de 19 anos foi assassinada após ter sua filha roubada num plano macabro e cruel

Greiciara Belo Vieira teve sua filha retirada de sua barriga enquanto estava viva (Foto: Arquivo Pessoal)

O crime que chocou o país na última semana, teve novos desdobramentos. Quatro pessoas foram presas, entre elas a mandante e mentora intelectual do crime, S.O.B., de 39 anos, acusadas de terem assassinado com requintes de crueldade, a jovem Greiciara Belo Vieira, de 19 anos, moradora de Uberlândia (MG).

Ela foi encontrada morta em uma represa em Ituiutaba, no último domingo, 21, após ter o bebê que esperava retirado em uma cesariana clandestina.

De acordo com o delegado regional de Uberlândia, Edson Morais, um dos suspeitos relatou que a vítima gritava de pânico e dor, e pedia insistentemente para que não fizessem isso com ela.

Edson Morais contou que, em depoimento, um dos suspeitos relatou que participou do crime em troca de um corte de cabelo e um celular, fornecidos pela mandante, que forjou a gravidez para o namorado e queria uma criança. O delegado também afirmou que o crime foi cometido em Ituiutaba, pois um dos seis suspeitos conhecia bem o local. Desses, quatro, de 22, 24, 30 e 60 anos estão presos. Os outros dois, que já foram identificados, ainda seguem foragidos.

Os presos foram encaminhados para Ituiutaba, onde a investigação será concluída. Eles responderão por homicídio duplamente qualificado, sequestro, ocultação de cadáver e subtração de incapaz.

A MOTIVAÇÃO

Segundo as apurações, S.O.B., uma ex-garota de programa que mora em Uberlândia, planejou tudo porque havia inventado uma gravidez para a família e para o namorado, com o propósito de mantê-lo ao seu lado. Há oito meses, o companheiro, dono de uma agência de venda de carros em Araguari, na mesma região, queria a separação. “Naquele momento, ela falou que ele não podia deixá-la, porque esperava um filho”, contou, durante coletiva de imprensa, o delegado Regional de Ituiutaba, Carlos Antônio Fernandes, um dos responsáveis pelo caso, ao lado da delegada Roberta Silva Borges Ferreira, titular da Delegacia de Homicídios da cidade, que preside as investigações.
“Ela mostrava ultrassons que falsificou a familiares e ao namorado e dizia que o parto seria esta semana. A mandante chamou os autores e disse que precisava de uma criança”, relatou Fernandes. Sobre o fato de não ter uma barriga típica de uma gestante, ela teria usado a justificativa de que, por ter feito uma abdomenoplastia, a criança estava por baixo da costela. O namorado passou mais de R$ 20 mil para a ex-garota de programa comprar berço e o enxoval da suposta criança, segundo as investigações.

Enquanto sustentava a gravidez forjada, ela teria pedido à uma amiga que lhe conseguisse uma criança para adoção. Não tendo sucesso na empreitada, elas partiram para o tudo ou nada. De acordo com o delegado, as duas contaram com o apoio de um homem, que era amigo de Greiciara. As investigações mostram que, na quinta-feira, dia 18 de agosto, ele ligou para a jovem querendo encontrá-la, com o pretexto de entregar uma lembrança ao bebê. Ao se verem, teria convidado a garota, usuária de drogas, para uma festa. Lá, depois de fumar maconha, ela teria tomado um refrigerante que havia sido “batizado” com medicamento. “Ela passou mal e começou a ficar sonolenta, momento no qual a mandante do crime se ofereceu para levá-la em casa”, conta Carlos Antônio Fernandes.

Greiciara foi levada para as margens da represa, distante 140 quilômetros de Uberlândia, na vizinha Ituiutaba. A amiga de S.O.B. abriu a barriga da jovem, que, acordada, viu sua filha ser retirada, enquanto gritava pela vida. Depois, foi enforcada até a morte. O corpo foi jogado na água, mas, dois dias depois, flutuou e foi encontrado.

Os acusados podem pegar até 40 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro, ocultação de cadáver e subtração de incapaz, segundo Fernandes. As apurações revelaram, ainda, que, pelo crime, a amiga de S.O.B. receberia R$ 2 mil. Os outros suspeitos, telefone celular e cortes de cabelo, pois S.O.B. também era cabeleireira.

Sobre a situação do bebê, o Conselho Tutelar de Uberlândia que acompanha o caso informou que provavelmente a guarda da criança ficará com a família materna, já que a avó foi até o hospital, se apresentou e portava toda a documentação confirmando o parentesco.


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