Falta de tecnologia, baixo valor de mercado ou ausência de compradores fazem alguns itens aparentemente recicláveis irem parar no lixo comum
Mesmo separados corretamente, muitos resíduos domésticos não são reciclados. Veja 20 exemplos comuns e entenda por quê (Foto Arquivo)
Separar o lixo doméstico para reciclagem já faz parte da rotina de muitos brasileiros. Ainda assim, uma grande parte desses materiais acaba em aterros sanitários, mesmo quando foi separada corretamente em casa.
Segundo especialistas, isso acontece porque a reciclagem não depende apenas do tipo de material, mas também de fatores como viabilidade técnica, logística, custo e existência de mercado comprador.
“Muitos itens que separamos como recicláveis não chegam a ser reciclados na prática”, explica Caru Albuquerque, fundadora do Instituto Nossa Urbe e coordenadora do grupo de trabalho de resíduos da Subprefeitura da Sé, em São Paulo.
De acordo com ela, os resíduos que não são reciclados se dividem em dois grupos: os que poderiam ser reciclados, mas não são por falta de mercado ou logística, e os que não podem ser reciclados por limitações técnicas.
Por que alguns materiais não são reciclados
A reciclagem é um processo industrial que depende de diversos fatores. Entre os principais obstáculos estão:
– mistura de materiais inseparáveis, como plástico e metal;
– contaminação por gordura, alimentos ou produtos químicos;
– tamanho muito pequeno, que dificulta a triagem;
– leveza excessiva, que exige grande volume para gerar valor comercial.
Além disso, o custo da reciclagem pode ser maior do que o da produção com matéria-prima nova, o que desestimula a indústria.
“A reciclagem só acontece quando fecha economicamente”, destaca Caru.
Outro desafio é a realidade das cooperativas de reciclagem. Segundo Roberto Rocha, presidente da Associação Nacional dos Catadores (Ancat), muitos materiais até possuem tecnologia para reciclagem, mas não têm mercado comprador ou infraestrutura próxima, o que dificulta o reaproveitamento.
Também é importante lembrar que o símbolo de reciclagem nas embalagens não garante que o item será reciclado. O símbolo apenas indica o tipo de material utilizado.
20 itens comuns que geralmente não são reciclados
Especialistas listam diversos resíduos domésticos frequentemente separados para reciclagem, mas que acabam sendo descartados como rejeito:
Isopor (EPS) – reciclável em teoria, mas caro para processar. Plástico filme – baixa reciclabilidade e pouco mercado. Embalagens metalizadas (salgadinhos e biscoitos) – mistura inseparável de plástico e metal. Papéis plastificados – possuem camadas difíceis de separar. Cartelas de medicamentos (blisters) – combinação de plástico e metal. Papéis engordurados – como caixas de pizza e embalagens de delivery. Papel higiênico e lenços usados – contaminados biologicamente. Talheres e pratinhos de plástico descartáveis – baixo valor comercial. Embalagens transparentes de frutas – pouco aproveitamento industrial. Isqueiros – não recicláveis. Comprovantes de cartão – feitos de papel termossensível. Papéis laminados – possuem camada plástica. Tubos de pasta de dentes – mistura de materiais. Escovas de dentes – compostas por plástico e outros elementos inseparáveis. Canudos flexíveis – pequenos e contaminados. Aparelhos de barbear descartáveis – difíceis de desmontar. Materiais de escritório – como etiquetas, fitas adesivas e grampos. Embalagens de ração – feitas de plástico do tipo “outros”. Vidros temperados e espelhos – composição diferente do vidro comum. Cotonetes – material misto, pequeno e frequentemente contaminado.
Consumo consciente é essencial
Diante dessas limitações, especialistas apontam que reduzir o consumo de descartáveis e escolher embalagens mais simples pode ser mais eficaz do que depender apenas da reciclagem.
Optar por produtos reutilizáveis, materiais biodegradáveis ou embalagens mais fáceis de reciclar ajuda a diminuir a quantidade de resíduos que acabam nos aterros sanitários.