Veja os malefícios de fumar em casa, mesmo na varanda ou com a janela aberta

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 18 de junho de 2024 às 21:00
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A poluição e resquícios do cigarro, causadores do tabagismo passivo, permanecem no ar, paredes, móveis e até roupas por meses

Uma das drogas mais comuns, o cigarro é responsável por diversos problemas de saúde – foto Arquivo

 

Uma das drogas mais comuns, o cigarro é associado a complicações na saúde que afetam não só os usuários diretos como também os chamados fumantes passivos.

Conforme o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, do Ministério da Saúde, com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de pessoas morrem todos os anos devido à exposição ao fumo passivo.

Além de estar relacionado à infertilidade, ao câncer, a doenças cardiovasculares e tantas outras em usuários tabagistas, o cigarro causa um tipo de poluição especialmente perigosa ao meio ambiente.

Quando usado em espaços menores como os lares e fumódromos, entretanto, aumenta os riscos do fumo passivo por terceiros, incluindo crianças e animais domésticos.

Fumar em casa faz mal

É comum, ao entrar em locais onde se faz o uso de tabagismo, notarmos a presença de paredes e tetos amarelados.

Essa parte pode ser resolvida com limpeza e manutenção, mas o verdadeiro perigo é invisível e pode escapar até o olfato.

Segundo Ciro Kirchenchtejn, médico pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, os resquícios do cigarro permanecem no ambiente mesmo após apagado e sem fumaça.

“O cigarro tem entre cinco e sete mil substâncias químicas. Entre elas, oitenta que causam câncer e o monóxido de carbono”.

“Quem fuma, inala estas substâncias e se arrisca a desenvolver as doenças mais letais do mundo ocidental, e o mesmo pode acontecer com os fumantes passivos”, salienta.

O médico explica com um exemplo: a contaminação de terceiros pelo tabaco ocorre de forma que, mesmo que a substância seja usada em uma sala após as crianças irem dormir em outro cômodo, caso fossem submetidas a um exame de urina na manhã seguinte, ainda seria possível detectar nicotina nas amostras.

“A fumaça é altamente contaminante e a ideia de fumar em um aposento diferente, ou mesmo em uma varanda, não diminui o risco das pessoas que estão em casa”, observa.

Apesar do ideal ser abandonar o vício, Ciro indica que o ato seja feito fora de casa, descartando até mesmo o uso da substância no carro, que também carrega os vestígios malignos do cigarro.

O médico ainda cita um terceiro efeito, com riscos ainda desconhecidos: “A fuligem que sobra do cigarro fica em tapetes e no chão. Animais domésticos e bebês, no contato da pele, também podem se contaminar, e não sabemos a magnitude deste risco”.

É de conhecimento, entretanto, que tanto animais quanto pessoas que entram em contato com as cinzas e a fumaça podem desenvolver asma, bronquiolite, meningite, dores de cabeça e mais.

Para além dos perigos à saúde, o pneumologista ainda lembra que o ato de fumar em casa é um grande causador de incêndios e acidentes domésticos e os malefícios não se resumem apenas ao cigarro comum.

“Tanto os eletrônicos e narguilés quanto os cachimbos e charutos são contaminantes e podem provocar as mesmas doenças, ainda que em magnitudes e prevalências diferentes entre si. Todas elas, entretanto, produzem dependência pela nicotina”.

Perigos do fumo passivo às crianças

Apesar de representar perigo para todas as pessoas, bebês e crianças são alvos ainda mais suscetíveis às complicações por tabagismo passivo.

Segundo Tatiana Cicerelli Marchini, pediatra e neonatologista, quando uma criança é exposta ao tabagismo indireto, pode sofrer ou ter pioradas uma série de complicações, a exemplo de problemas respiratórios (asma, bronquite e pneumonia), infecções de ouvido, problemas de crescimento e desenvolvimento, já que o fumo passivo pode afetar o crescimento pulmonar e geral da criança, Síndrome da Morte Súbita Infantil (SIDS), problemas cardiovasculares e até mesmo de comportamento e aprendizado.

A médica ainda retoma os perigos de ter crianças expostas a ambientes onde pessoas costumam fumar.

“Este fenômeno é conhecido como ‘fumaça de terceira mão’, quando os resíduos de nicotina e outros químicos permanecem nas superfícies e no ar, ainda que com o cigarro já apagado”.

Os perigos da “fumaça de terceira mão” não fogem das outras exposições e permanecem no ambiente, nos móveis, carpetes e nas paredes por semanas ou meses.

Controle ao tabagismo

É disponibilizado através do Instituto Nacional de Câncer (INCA), órgão do Ministério da Saúde (MS), tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às pessoas que desejam parar de fumar.

Segundo o portal do órgão, o tratamento no SUS inclui avaliação clínica, abordagem mínima ou intensiva, individual ou em grupo e, se necessário, terapia medicamentosa juntamente à abordagem intensiva, em todos os 26 estados e Distrito Federal.

*Informações Casa e Jardim


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