Vale a pena comprar eletrônicos na Black Friday? Especialista te ajuda a avaliar!

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 15 de outubro de 2025 às 19:30
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Segundo o professor Roberto Flores Falcão, eletrônicos mais “robustos”, como TVs, notebooks e celulares, costumam ser mais vantajosos no período

A Black Friday é uma das épocas mais aguardadas do ano para o comércio online. Apesar dos descontos típicos, também costuma ser associada a golpes e falsas promoções (Foto Arquivo)

 

A Black Friday é uma das épocas mais aguardadas do ano para o comércio online. Em 2025, o evento acontece dia 28 de novembro, mas as promoções em celulares, computadores, televisões e outros produtos devem durar o mês inteiro.

Apesar dos descontos típicos, a efeméride também costuma ser associada a golpes e falsas promoções, o que leva os consumidores a se perguntarem: vale a pena mesmo comprar eletrônicos na Black Friday?

Para responder a essa pergunta e tirar outras dúvidas sobre o tema, Roberto Flores Falcão, professor e coordenador do MBA em Gestão de Negócios da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), esclarece alguns pontos.

1. Quais eletrônicos costumam ficar mais baratos na Black Friday?

Historicamente, eletrônicos e eletrodomésticos costumam ser os itens mais procurados pelos consumidores na Black Friday e, em 2025, isso não deve ser diferente.

Segundo pesquisa produzida pela empresa LWSA — especializada em negócios e tecnologia — e feita com consumidores brasileiros interessados na data, 53% dos entrevistados pretendem comprar eletrônicos no período e 44% deles, eletrodomésticos.

O interesse se justifica pelos preços. Falcão explica que os aparelhos eletrônicos de maior valor costumam ser os itens mais vantajosos para se comprar no período.

“Isso varia muito de ano para ano, mas, basicamente, os eletroeletrônicos costumam ter bons descontos”, ratifica.

Como boas apostas para quem quer economizar, o pesquisador destaca TVs e celulares, além de produtos da linha branca, como geladeiras e máquinas de lavar.

Nos últimos anos, contudo, outros setores do mercado começaram a aderir à data. Logo, Falcão também recomenda estar atento a descontos em outros nichos de produtos.

“Antigamente, celulares, TVs e notebooks eram unanimidades entre os aparelhos que valia a pena a gente olhar. Hoje, praticamente todo tipo de empresa aderiu às ações da Black Friday. Mesmo roupas, tênis ou livros podem ter bons descontos”, comenta o professor.

2. Quais eletrônicos não são vantajosos no período?

É difícil apontar uma categoria específica de eletrônico que não valha a pena na Black Friday. Segundo especialistas, o problema não está no tipo de produto, mas nas características que indicam quando o item não justifica a compra.

De acordo com o professor Roberto Flores Falcão, o principal cuidado é com modelos antigos ou prestes a sair de linha.

“Às vezes, a empresa está te oferecendo aquele desconto não pela sazonalidade da Black Friday, mas porque quer acabar com o estoque”, explica. “

Você acaba comprando o gato por lebre: um produto que pode não ter suporte adequado, ou que já está defasado em relação às versões mais novas.”
O especialista observa que muitos desses itens continuam mais baratos mesmo após a Black Friday, justamente por estarem sendo substituídos no mercado.

“São produtos que não chegam a ser obsoletos, mas já não têm tanta inovação. Passada a data, eles permaneceriam com preço baixo”, acrescenta.

Falcão também recomenda evitar itens sem avaliações ou de marcas pouco conhecidas, especialmente quando a oferta parece boa demais.

“Se você entra em um site e ninguém comenta sobre o produto, é um sinal de alerta. Qualquer situação que pareça vantajosa demais pode, no fim, te prejudicar financeiramente.”

3. Como vendedores mal-intencionados e golpistas atuam na Black Friday?

Não é novidade que a Black Friday proporciona boas oportunidades de compra para os consumidores, mas a data também atrai pessoas mal-intencionadas, que tentam se aproveitar do período para “levar vantagem” ou aplicar golpes.

Segundo o professor Roberto Flores Falcão, uma prática muito comum entre os fraudulentos é a chamada “metade do dobro”, em que o comerciante aumenta o preço semanas antes da promoção para, na Black Friday, destacar uma redução chamativa que, na verdade, não existe.

“Às vezes, o vendedor aumenta o preço, ou ele simplesmente mantém o valor e finge que houve algum tipo de mudança”, afirma.

Outra manobra frequente é a alteração do preço no momento da finalização da compra. Nesse tipo de fraude, o item aparece com um valor no anúncio, mas, ao adicioná-lo ao carrinho, o preço verdadeiro se revela. “O cliente desavisado só vai perceber depois que veio a fatura”, diz Falcão.

Existem ainda golpes mais graves, que envolvem sites falsos e phishing. Anúncios pagos no Instagram ou em outras redes podem redirecionar para páginas que imitam lojas reais, com visual caprichado e até depoimentos fabricados.

O pesquisador conta, inclusive, que já foi enganado por um desses anúncios com oferta de livros “grátis” que, no fechamento do pedido, cobrava um frete que encaminhava o pagamento para outra conta.

4. Como evitar golpes?

Para evitar golpes na Black Friday, a principal recomendação é não se deixar levar pela emoção de uma promoção tentadora e sempre revisar a compra com calma e atenção.

Para isso, o especialista recomenda verificar a reputação das lojas. Consultar páginas do Procon, plataformas como Reclame Aqui e Consumidor.gov.br, e conferir as avaliações de vendedores nos marketplaces são medidas simples que ajudam a evitar dor de cabeça.

“Desconfiou, achou estranho? Pesquise. Se identificar uma propaganda enganosa, denuncie — isso ajuda a impedir que outros consumidores também sejam prejudicados”, reforça o professor.

Já para as ofertas do tipo “metade do dobro”, Falcão explica que identificar um desconto falso no momento da compra pode ser difícil se o consumidor não se preparou com antecedência.

“O ideal é acompanhar o preço do produto de interesse pelo menos 30 a 40 dias antes da promoção”, orienta. Para facilitar essa tarefa, o especialista conta que existem inúmeras ferramentas que registram o histórico de preços, como o Google Shopping e a extensão Keepa.

5. Como aproveitar a Black Friday da melhor forma possível?

Para ter uma Black Friday realmente proveitosa, Falcão orienta que o consumidor planeje suas compras com antecedência e evite agir por impulso.

Segundo ele, um dos principais erros é comprar apenas porque a parcela “cabe no bolso”, sem avaliar se o produto é necessário ou se o desconto é, de fato, vantajoso.

“Tenha clareza do que você realmente precisa comprar e vá acompanhando. Um problema nosso, muitas vezes, é comprar por impulso, simplesmente porque a parcela parece que cabe no bolso, sem planejamento financeiro e sem saber se aquela oferta é boa ou não”, afirma o professor.

Ele explica que vale a pena acompanhar a evolução de valores e modelos ao longo das semanas anteriores à promoção, verificando também quais produtos têm mais reclamações ou problemas de manutenção.

“Às vezes, não é nem a marca, mas um modelo específico que costuma dar mais dor de cabeça”, alerta.

Após a compra, Falcão recomenda guardar a nota fiscal e verificar o produto assim que ele chegar. Caso haja defeitos, ele lembra que o consumidor tem sete dias para exercer o direito de arrependimento, independentemente da loja ou do fabricante.

“Se o produto veio com problema, você tem total direito de reclamar diretamente com quem vendeu. Mesmo que seja um marketplace, é o varejista que precisa resolver”, explica.

Fonte: TechTudo


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