Twitter pode aposentar o Periscope, aplicativo de transmissão de lives

  • Salvador Netto
  • Publicado em 20 de dezembro de 2020 às 17:19
  • Modificado em 11 de janeiro de 2021 às 12:13
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Caso a notícia se confirme, o Twitter vai aposentar o app com ‘apenas’ cinco anos de vida

O Twitter vai aposentar o Periscope, aplicativo adquirido pela rede social em 2015, quando a empresa de Jack Dorsey o comprou antes mesmo que ele fosse lançado. 

A informação é da pesquisadora digital Jane Manchun Wong, que identificou uma linha de código no app do Twitter que indica um link com uma notificação de desligamento.

O link em questão ainda não está ativo, então de nada adianta copiá-lo na barra de endereços. Mas a mera menção a um desligamento já foi o suficiente para levantar suspeitas.

No app móvel do Periscope, não há qualquer menção a desligamentos ou descontinuidades em seu código, embora ele e o app do Twitter compartilhem de algumas linhas específicas de programação. 

“Deve ser por isso que a linha de comando acabou aparecendo no Twitter”, disse Wong ao TechCrunch.

O Twitter não comentou os boatos, então não podemos afirmar que é uma decisão definitiva neste momento. Mas considerando como a empresa vem investindo em soluções próprias de conteúdo -– vide atualizações no Fleets e testes de envio de mensagens em áudio –, a ideia pode não parecer tão exagerada assim.

Cinco anos de história

Caso a notícia se confirme, o Twitter vai aposentar o Periscope com “apenas” cinco anos de vida. 

O app nasceu em 2015, mas antes mesmo de ir ao ar, o Twitter tratou de comprá-lo por estar no mercado em busca de uma ferramenta para transmissão de lives. 

Aliás, das três grandes redes sociais, o Twitter foi o primeiro a lançar uma ferramenta do tipo – o Facebook Live e Instagram Live só viriam no ano seguinte.

A ideia do Twitter era a de usar o Periscope como reforço à percepção da rede como “plataforma de conteúdo”, adotando perfis de jornalistas independentes e empresas de mídia. 

Mais além, a empresa estava de olho em um app concorrente chamado Meerkat, cujo crescimento o Twitter queria coibir. 

Eventualmente, o Meerkat perdeu espaço, passou a se chamar “Houseparty” e foi conduzindo negócios sem grande expressão até ser comprado pela Epic Games.

Um estudo conduzido pelo Statista em 2017 mostra que o Periscope estava atrás do Facebook, YouTube e Snapchat Live Stories, detendo “apenas” 9% do mercado de transmissores de lives. 

De sua fundação até aqui, o Periscope – embora dotado de um aplicativo próprio – foi mais e mais integrado ao Twitter, com o desenvolvimento de APIs específicas e funções compartilhadas.

Com o tempo, “Twitter Live powered by Periscope” tornou-se o slogan da rede social, enquanto a equipe do app em si, sobretudo, seu fundador Kayvon Beykpour, tornou-se empregada do Twitter.

Segundo o AppAnnie, o Periscope ainda consta como um dos 100 aplicativos mais baixados em diversos mercados, o que não é uma posição de todo ruim. Entretanto, a percepção é a de que ele é um app em queda, não um gerador de “virais”.