Telas vs leitura: o que é importante que as crianças saibam sobre este “duelo”

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 16:00
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Para as crianças, é importante compreender que a tecnologia deve ser usada como apoio e não como única forma de entretenimento

Em um cenário cada vez mais dominado por celulares, tablets e computadores, o debate sobre leitura e uso de telas na infância tem ganhado espaço entre educadores, profissionais da saúde e famílias. Mais do que escolher entre um ou outro, especialistas apontam que o principal desafio está em equilibrar o tempo diante das telas com atividades que estimulem o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.

A leitura, especialmente de livros físicos, segue sendo considerada uma das ferramentas mais importantes para a formação infantil. O contato frequente com histórias contribui diretamente para a ampliação do vocabulário, melhora da capacidade de interpretação, desenvolvimento da imaginação e fortalecimento da atenção e da memória. Além disso, o hábito de ler desde cedo favorece o desempenho escolar e cria bases mais sólidas para a aprendizagem ao longo da vida.

Outro ponto relevante é o impacto da leitura no vínculo entre adultos e crianças. Momentos de leitura compartilhada estimulam a interação, a escuta e a troca de experiências, fatores que influenciam positivamente o desenvolvimento emocional e social.

Por outro lado, o uso de telas faz parte da rotina contemporânea e não pode ser totalmente excluído da infância. Recursos digitais, quando utilizados de forma orientada, podem auxiliar no acesso a conteúdos educativos, no aprendizado de novas linguagens e no contato com ferramentas que já fazem parte do mundo do trabalho e da vida adulta.

O problema surge quando o tempo diante das telas substitui atividades fundamentais para o desenvolvimento infantil, como brincar, ler, conviver com outras crianças, praticar atividades físicas e dormir adequadamente. O excesso de exposição está associado a dificuldades de concentração, aumento da irritabilidade, alterações no sono e maior sedentarismo.

Para as crianças, é importante compreender que a tecnologia deve ser usada como apoio e não como única forma de entretenimento. Saber alternar momentos de vídeos, jogos e aplicativos com a leitura, o brincar livre e o convívio familiar ajuda a construir uma rotina mais saudável e equilibrada.

Outro aspecto fundamental é a qualidade do conteúdo acessado. Nem todo material disponível na internet ou em aplicativos tem caráter educativo ou adequado para a faixa etária. A orientação de adultos sobre o que assistir, ler ou jogar continua sendo determinante para garantir segurança e aprendizado.

A discussão sobre leitura versus telas, portanto, não se resume a proibir ou liberar dispositivos, mas a ensinar desde cedo que o tempo é um recurso valioso e que diferentes atividades contribuem de maneiras distintas para o crescimento. Para as crianças, entender a importância da leitura e aprender a usar a tecnologia com consciência se torna um passo essencial para uma formação mais completa, crítica e preparada para os desafios do futuro.


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