Tarifa de 15% dos EUA exige atenção aos impactos sobre as Micro e Pequenas empresas

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 1 de março de 2026 às 13:00
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O Simpi acompanha os desdobramentos e defende que políticas públicas preservem a competitividade dos MEIs, micro e pequenas empresas

O SIMPI Nacional, associação civil ASSIMPI, acompanha com atenção o anúncio da nova tarifa global de 15% sobre importações pelos Estados Unidos, medida que substitui regimes tarifários anteriores após decisão da Suprema Corte americana.

Embora o Brasil não tenha sido alvo de elevação específica adicional e, em alguns casos, tenha inclusive registrado redução de tarifas anteriormente aplicadas, a nova taxa impõe um ambiente de maior instabilidade comercial internacional, com reflexos potenciais para os MEIs, Micro e Pequenas empresas brasileiras.

Para o SIMPI Nacional, é fundamental analisar a medida sob dois aspectos: oportunidades pontuais e riscos estruturais.

Em determinados nichos, a uniformização tarifária pode gerar previsibilidade e abrir espaço para exportadores brasileiros especializados.

Cautela

Contudo, para a maioria dos MEIs, micro e pequenas empresas, os efeitos indiretos podem ser mais sensíveis, especialmente no que diz respeito ao aumento de custos na cadeia produtiva e à pressão sobre margens de lucro.

Pequenos negócios possuem menor capacidade de absorver oscilações cambiais, custos adicionais ou instabilidades regulatórias.

Quando há elevação de custo e dificuldade de repasse ao consumidor final, por perda de clientela, o resultado costuma ser a compressão da margem de lucro e maior vulnerabilidade financeira.

“O pequeno empreendedor trabalha, muitas vezes, no limite da margem. Quando há aumento de custo e ele não consegue repassar ao preço final, a conta recai sobre sua rentabilidade. E isso pode significar redução de investimentos, dificuldade de manter empregos e, em casos mais graves, fechamento do negócio, ou empurra-lo para a informalidade”, afirma Joseph Couri, presidente do SIMPI Nacional.

Impacto social

Couri destaca que o impacto não é apenas empresarial, mas social. “Os MEIs, Micro e Pequenas empresas são responsáveis por grande parte dos empregos formais no Brasil. Quando o ambiente internacional se torna mais instável, o reflexo pode chegar ao trabalhador”.

Segundo ele, “é preciso garantir que medidas externas não ampliem a informalidade nem pressionem ainda mais quem já enfrenta um cenário de alta carga tributária e custos elevados no país.”

O SIMPI Nacional reforça que políticas de apoio, acesso a crédito competitivo, capacitação para exportação e estabilidade regulatória são fundamentais para que os MEIs, Micro e Pequenas empresas possam transformar desafios em oportunidades.

A entidade seguirá acompanhando os desdobramentos da medida e defendendo que qualquer impacto seja mitigado por políticas públicas que preservem a competitividade dos MEIs, micro e pequenas empresas e protejam os empregos no país.

Joseph Couri, presidente do SIMPI Nacional. (Foto: Divulgação)

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