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São Joaquim da Barra fica sem leitos de UTI Covid, mesmo com isolamento de 71%

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 5 de abril de 2021 às 21:00
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Santa Casa, que concentra todas as 13 vagas da cidade, diz que não é possível ampliar atendimento. Hospital de campanha criou sala de urgência para atender pacientes graves

Santa Casa de São Joaquim da Barra

 

Apesar de manter mais de 70% de sua população dentro de casa, São Joaquim da Barra não tem mais leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratar pacientes infectados pela Covid-19 em estado grave, segundo boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura nesta segunda-feira (5).

Os 13 leitos de UTI da Santa Casa da cidade estão ocupados – 12 por moradores da própria cidade e outro por um morador da região –, ainda segundo o boletim da Prefeitura.

O diretor administrativo do hospital, Estevan Campeone, diz que a capacidade hospitalar não será ampliada.

“É impossível. Estamos fazendo uso de toda nossa capacidade e não há mais margem para crescimento ou adaptação de novos leitos”, diz.

A demanda excedente de pacientes, segundo Campeone, deverá ser absorvida pelo hospital de campanha da cidade, que foi construído em maio de 2020 e reaberto há cerca de duas semanas. A unidade, porém, só tem leitos de enfermaria.

A médica Lorena Paes, responsável pela unidade, diz que uma sala de emergência com quatro leitos foi criada para atender pacientes em estado grave. Para isso, a unidade utiliza dois respiradores e aguarda a chegada de mais três.

“A gente tem desde pacientes que vêm com uma tosse ou uma coriza até os com esforço respiratório grande que precisam ser levados diretamente para sala de urgência”, diz.

Paes afirma que o hospital de campanha recebeu medicamentos de sedação doados pela Santa Casa e, desde o final de semana, passou a entubar pacientes em estado grave.

“Para transferir um paciente para as UTIs da região está ficando bem difícil. A gente coloca o paciente no Cross [sistema que gerencia as vagas de UTI no SUS], mas ele não encontra leito, porque estão todos lotados”, diz.

A médica alerta que, apesar da criação da sala de urgência, a unidade não é adequada para tratar pacientes em estado grave.

“A gente não tem todo preparo de UTI, com médicos intensivistas e medicações necessária, então serve para um primeiro atendimento”, diz.

Com pouco mais de 52 mil habitantes, São Joaquim da Barra registrou, desde o início da pandemia, 2.898 mil casos da doença e 53 mortes, ainda segundo o boletim epidemiológico de segunda-feira.

Isolamento ideal

A taxa de isolamento social em São Joaquim da Barra, que variou entre 60 a 70% em março, é a maior entre as cidades paulistas, de acordo com o sistema de monitoramento inteligente do governo de São Paulo.

No domingo (4), por exemplo, 71% dos moradores não saíram de casa, de acordo o sistema, que é atualizado diariamente. Autoridades de saúde afirmam que 70% são suficientes para frear o avanço do vírus.

Diante da alta ocupação hospitalar, Estevan Campeone, da Santa Casa, pede uma taxa de isolamento social ainda maior para evitar o colapso do sistema público de saúde.

“O recado é o que exaustivamente a gente já vem orientando. Enquanto a população não tiver consciência de que transmite doença ao próximo, não vamos conseguir frear a transmissão do vírus, que hoje está descontrolada”, diz.

*Informações G1