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Santa Casa de Igarapava fecha 50% dos leitos de UTI por falta de medicamentos

  • Dayse Cruz
  • Publicado em 25 de março de 2021 às 11:30
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Segundo interventor, estoque de sedativos e relaxantes musculares está zerado e preço cobrado por fornecedores, quando há disponibilidade, é abusivo

Santa Casa de Igarapava -foto Jefferson Severiano Neves / EPTV

 

Cinco dos dez leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para tratamento de pacientes com Covid-19 estão inativos há uma semana na Santa Casa de Igarapava (SP) por falta de medicamentos para manter a intubação.

Segundo Marcelo Ormeneze, interventor do hospital, não há disponibilidade no mercado e a escassez de outros insumos já coloca em risco toda operação.

“Nós temos a verba do governo para comprar só que os fornecedores não têm para entregar”, diz.

O Ministério Público acompanha o caso e notificou a Coordenadoria de Assistência Farmacêutica e a Coordenadoria de Regiões de Saúde para prestar esclarecimentos sobre a deficiência no fornecimento de medicamentos.

Atendimento prejudicado

O problema foi levado ao MP pela Prefeitura e pela gestão da Santa Casa no dia 16 de março.

Com a suspensão do atendimento em metade dos leitos, 14 pacientes em estado grave estão na fila de espera por uma vaga de internação, dos quais dois são de Igarapava.

“Esses pacientes são de diversas cidades do estado. Eles ficam aguardando vaga nos hospitais das próprias cidades e quando surgem vagas, o sistema Cross encaminha aqui. Nós temos a vaga, mas não temos medicamentos.”

De acordo com o contador Márcio Francisco de Paula, responsável pelas compras, antes, para adquirir os sedativos e relaxantes musculares necessários para manter dez leitos, o hospital gastava R$ 50 mil. Agora, o custo chega a R$ 200 mil.

“Um medicamento que a gente pagava R$ 72 direto do laboratório, o laboratório não está tendo mais para comprar. A gente compra de distribuidora, mas de R$ 72 pulou para R$ 298. Pela variação, em poucos dias de compra, está aumentando muito o percentual.”

A administradora hospitalar Leandra Vilarinho afirma que a situação é preocupante e crítica.

“Para nós que estamos na linha de frente, os médicos e toda a equipe, ter um paciente em um leito de UTI e não ter medicação para oferecer é muito complicado”.

“A Santa Casa está fazendo todos os esforços. É um cenário nacional, os leitos estão aí e não temos como atender. Precisamos de medidas muito rápidas.”

MP pede esclarecimentos

Na segunda-feira (22), o promotor de Justiça Túlio Vinicius Rosa enviou ofícios extra-judiciais ao estado para pedir esclarecimentos sobre o problema que afeta, até o momento, exclusivamente a Santa Casa de Igarapava entre os 22 municípios que integram a Diretoria Regional de Saúde (DRS) 8.

“A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica tem a responsabilidade de fazer interlocução junto ao Ministério da Saúde e centralizar o recebimento e a distribuição dos medicamentos”.

“Nós fizemos esse contato na segunda-feira, estamos aguardando a resposta. No mesmo sentido, a Coordenadoria das Regiões de Saúde, porque nós estamos levantando a possibilidade de eles atuarem de maneira a garantir efetivamente que esses leitos se mantenham efetivos”, afirma Rosa.

A Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), da Secretaria Estadual de Saúde, é responsável pela transferência de pacientes aos hospitais com leitos vagos do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Santa Casa espera que todos os doentes que aguardam na fila consigam ser internados.

“Os 10 leitos de Igarapava são estratégicos, porque eles estão inseridos na Cross e eles atendem nossa região, atendem pessoas de fora da região da DRS 8. É imprescindível que eles estejam em funcionamento”, diz o promotor.

A Santa Casa e a Prefeitura acionaram ainda o Procon por causa da possível cobrança abusiva de fornecedores.

*Informações G1


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