Crescimento benigno é frequente nessa fase e pode provocar alterações urinárias; urologista explica quais sinais merecem investigação.
Jato urinário mais fraco, demora para começar a urinar e a necessidade de levantar várias vezes durante a noite para ir ao banheiro são mudanças que podem surgir com o avanço da idade. Depois dos 50 anos, é comum que a próstata aumente de tamanho, processo conhecido como hiperplasia prostática benigna (HPB).
A condição não é câncer, mas o crescimento da próstata pode comprimir a uretra, canal por onde passa a urina, e interferir no funcionamento da bexiga.
Segundo o urologista Alberto Tomé, especialista em diagnóstico de alta precisão e cirurgia robótica, é comum que os homens associem essas alterações apenas ao envelhecimento e demorem a procurar avaliação.
“O homem pode perceber que o jato urinário ficou mais fraco ou intermitente, que demora mais para começar a urinar ou que permanece a sensação de que a bexiga não esvaziou completamente. São mudanças que não devem simplesmente ser normalizadas por causa da idade”, explica.
Ida ao banheiro durante a noite
Outros sinais incluem gotejamento ao final da micção e aumento da frequência urinária, principalmente durante a noite. A necessidade de interromper o sono para urinar recebe o nome de nictúria.
“Quando o homem passa a levantar duas ou mais vezes por noite para urinar, principalmente se isso se torna frequente, é importante investigar. A causa pode estar relacionada à próstata, à própria bexiga ou a outras condições”, afirma Alberto Tomé.
Apesar de afetarem a mesma glândula, a hiperplasia prostática benigna e o câncer de próstata são condições diferentes. A HPB é um crescimento benigno e se torna mais frequente com o envelhecimento. Já o câncer de próstata pode se desenvolver de forma silenciosa, principalmente em suas fases iniciais.
“Ter sintomas urinários não significa ter câncer e, da mesma forma, não apresentar sintomas não exclui a possibilidade da doença. Por isso, é importante avaliar cada paciente individualmente, considerando idade, histórico familiar, PSA, exame físico e outros fatores de risco”, destaca o urologista.
Dificuldade para iniciar ou manter o jato urinário, acordar duas ou mais vezes durante a noite para urinar, sensação persistente de esvaziamento incompleto da bexiga e presença de sangue na urina ou no sêmen estão entre os sinais que devem ser avaliados. O histórico familiar de câncer de próstata também merece atenção.
Tecnologia amplia precisão na investigação
Quando existe suspeita de câncer de próstata, exames complementares podem ser indicados. Entre as tecnologias mais recentes está o micro-ultrassom de próstata, equipamento que trabalha com frequência de 29 MHz e oferece imagens de alta resolução da glândula, auxiliando na identificação de áreas suspeitas e no direcionamento de biópsias quando necessárias.
Alberto Tomé foi pioneiro na utilização do micro-ultrassom e vem ampliando o acesso à tecnologia. O urologista atua com foco no diagnóstico de alta precisão das doenças da próstata e no tratamento cirúrgico, incluindo cirurgia robótica.
“A evolução dos métodos de imagem permite investigar a próstata com cada vez mais precisão. Quando há indicação de biópsia, por exemplo, conseguimos direcionar a coleta para áreas suspeitas e reunir mais informações para definir a melhor conduta para cada paciente”, explica.
Avaliação
Para o especialista, a principal orientação após os 50 anos é não esperar que os sintomas se tornem intensos para procurar avaliação.
“Prestar atenção às mudanças no padrão urinário é uma forma importante de cuidar da saúde. Quanto mais cedo identificamos a causa de uma alteração, mais adequada pode ser a definição do acompanhamento ou do tratamento necessário”, finaliza Alberto Tomé.
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