Por onde anda? Aposentado das quadras, Nezinho dá primeiros passos como técnico

  • F. A. Barbosa
  • Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 16:00
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Seu objetivo é claro: tornar-se um grande treinador e, no futuro, assumir uma função na seleção brasileira de basquete

Marrento, talentoso e vencedor dentro de quadra, Nezinho — um dos maiores rivais da história recente do Sesi Franca e ex-atleta do time — iniciou um novo capítulo em sua trajetória no basquete. Aos 44 anos, o ex-armador trocou definitivamente o controle da bola pela prancheta e dá os primeiros passos como treinador, carregando consigo o mesmo perfil competitivo que marcou sua carreira como jogador.

Nos tempos de Ribeirão Preto, especialmente defendendo o COC Ribeirão e também o Brasília, Nezinho protagonizou uma rivalidade intensa com Franca, que extrapolava as linhas da quadra e encontrava eco nas arquibancadas. O embate com a torcida francana e com o então armador — hoje técnico — Helinho Garcia foi um dos símbolos dessa época.

Com o passar dos anos, porém, o jogador chegou a atuar em Franca e conseguiu se redimir, ao menos em parte, da imagem negativa construída nos anos de confrontos diretos, disputando duas temporadas na Capital do Basquete. E em momento algum seu talento jamais foi questionado, sendo reconhecido até mesmo pelos torcedores mais apaixonados.

Histórico

A bola laranja sempre esteve próxima de Nezinho. Dono de grande habilidade nos tempos de atleta, era notoriamente difícil desarmá-lo. Agora, longe das quadras, ele canaliza esse conhecimento para a formação de jovens talentos.

Campeão dos Jogos Pan-Americanos de 2007 pela seleção brasileira e pentacampeão nacional, Nezinho vive seus primeiros meses como técnico após se aposentar como jogador. Inicialmente, integrou a comissão técnica do time sub-18 de Araraquara e, em 2025, foi promovido a treinador principal da equipe sub-20.

Estudioso

Desde o início da carreira profissional, a função de treinador já despertava seu interesse. Observava metodologias, estudava treinos e analisava estratégias de jogo. Hoje, encara a nova responsabilidade com entusiasmo e consciência do papel que exerce na formação de atletas em um momento decisivo de suas carreiras. Adepto de um basquete intenso, Nezinho defende equipes agressivas na defesa, buscando gerar vantagens ofensivas a partir da pressão constante e da dificuldade imposta ao adversário.

A etapa dos Jogos Regionais disputada em Ribeirão Preto, pela 5ª Região Esportiva, teve um significado especial para o agora técnico. A vitória por 72 a 45 sobre a equipe da casa, na final da categoria sub-21, rendeu a Nezinho o primeiro título de sua nova carreira à beira da quadra — um troféu simbólico, conquistado justamente em um palco marcado por rivalidades históricas.

Cria de Lula Ferreira

A formação como treinador passa por referências de peso. Ao longo da carreira, Nezinho foi comandado por nomes consagrados do basquete nacional e internacional, como Dedé Barbosa, Sérgio Hernández e Rubén Magnano. Ainda assim, aponta Lula Ferreira como sua maior inspiração. Foi com ele que teve a primeira grande oportunidade como titular no basquete profissional, além de absorver lições de gestão, liderança e relacionamento humano.

Nada na trajetória de Nezinho foi fruto do acaso. Desde cedo, projetava chegar à seleção brasileira e figurar entre os melhores do país. Com a prancheta nas mãos, mantém a mesma mentalidade ambiciosa. Seu objetivo é claro: tornar-se um grande treinador e, no futuro, assumir uma seleção brasileira. Em paralelo, desde 2024, ele também ocupa o cargo de coordenador de esportes de alto rendimento da Prefeitura de Araraquara, ampliando sua atuação fora das quadras.

Competitivo como sempre, Nezinho segue planejando cada passo. Se como jogador foi adversário duro e figura marcante nos clássicos contra Franca, agora inicia uma nova caminhada, disposto a construir, fora das quatro linhas, um legado à altura de tudo o que já viveu dentro delas.


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