Pesquisa feita em Franca, por estudante da Unesp, gera ação para vitimizadas

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 2 de outubro de 2017 às 12:25
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:22
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Mayara Simon Bezerra, de 25 anos, de Alto Alegre, fez trabalho de mestrado pela Unesp/Franca

Para melhorar a política de atendimento à criança vítima de violência sexual, é preciso que haja a disposição de recursos humanos, financeiros e materiais adequados, buscando a garantia dos direitos da vítima e proporcionando um auxílio digno. 

Esta foi a análise feita pela estudante Mayara Simon Bezerra, de 25 anos, de Alto Alegre, durante seu trabalho de mestrado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca, intitulado “Infância descolorida: a criança vítima de violência sexual e o trabalho interdisciplinar”.

A apresentação da pesquisa, que ocorreu no último dia 31 de agosto e foi aprovada pela banca examinadora, teve por objetivo conhecer o trabalho interdisciplinar desenvolvido com crianças vítimas de violência sexual, por meio das políticas de atendimento em Penápolis. 

Para ela, essa atuação requer profissionais capacitados diante das transformações societárias configuradas na sociedade atual e que se refletem na vida de milhares de crianças e suas famílias, para que, ao chegarem aos locais de atendimento, não sejam vitimizadas novamente, revivendo a violência pela qual foram submetidas.

“Por meio da pesquisa, conhecemos as políticas de atendimento no município compreendidas entre saúde, assistência social, segurança pública e Justiça, bem como o trabalho do Conselho Tutelar. A falta de recursos humanos e serviços específicos de atendimento se configuram como alguns dos principais desafios destas políticas em Penápolis”, destacou.

Mayara, que é assistente social no Núcleo de Apoio a Saúde da Família da Prefeitura de Alto Alegre, observou que outro ponto evidenciado no estudo foi a aproximação da compreensão que os demais profissionais que compõem a equipe possuem sobre o trabalho desenvolvido pelo assistente social. Confira a entrevista:

Como surgiu o interesse em elaborar o trabalho
com o tema “Infância descolorida: a criança vítima de violência sexual e o
trabalho interdisciplinar”?

Desde a graduação, venho pesquisando sobre violência sexual. A definição do objeto de estudo para a pesquisa do mestrado se deu devido ao fato de em meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) ter pesquisado sobre o trabalho profissional do assistente social nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. 

A pesquisa foi realizada em Franca em 2013, cidade que cursei a graduação na Unesp, e cujo trabalho foi intitulado “Por trás daquelas portas: a violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes e o trabalho profissional do assistente social”, tendo a orientação da professora doutora Adriana Giaqueto. 

Esta pesquisa gerou uma inquietação em relação à prática interdisciplinar na rede de atendimento, onde, por meio da pesquisa, verificou-se a importância da interdisciplinaridade nos atendimentos dos casos de abuso e a necessidade dos próprios profissionais atuarem em uma equipe interdisciplinar.

O objeto de estudo também foi definido pelo fato de o estágio supervisionado no Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) em Franca, no serviço do Paefi (Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos) que é oferecido, onde os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes são atendidos. 

Durante toda a graduação obtive maior acúmulo teórico com a temática de estudo por meio de participações em eventos, pesquisas realizadas durante esse período, estágio supervisionado e TCC, dentre outros, gerando indagações como: existe trabalho interdisciplinar nos atendimentos dos casos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual? Como é realizado? 

Estas questões fizeram com que minha apreensão sobre a temática a ser desenvolvida fosse ampliada com o ingresso no programa de pós-graduação em serviço social na Unesp, no curso de mestrado. Minha pesquisa abordou a violência sexual contra crianças, uma das formas de violência que pode comprometer o desenvolvimento físico e emocional, realizando a pesquisa, que teve a orientação da professora doutora Cirlene Hilário da Silva Oliveira, pessoa pela qual tenho um carinho especial”, disse. 

(Publicado na Folha Região, de Araçatuba)


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