Os sete hábitos dos quais você deve se despedir para ser mais feliz depois dos 60

  • Robson Leite
  • Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 20:00
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Nessa nova etapa da vida, é importante se livrar de algumas práticas arraigadas que podem até prejudicar o bem-estar

Chegar aos 60 não é apenas completar mais um ano: é entrar em um novo território, com mais perspectiva e a chance de decidir como você quer viver tudo o que vem pela frente. É uma fase em que muitas pessoas redescobrem seu ritmo, seus interesses e sua forma de estar no mundo.

E isso não é só uma percepção comum. Um estudo de Harvard que acompanha, há mais de 80 anos, a vida de centenas de pessoas indica que a felicidade atinge seu auge por volta dos 60 anos.

Os pesquisadores Robert Waldinger e Marc Schulz identificaram que, nessa década da vida, as pessoas começam a reconhecer os limites da existência e desenvolvem uma percepção mais concreta da mortalidade, o que, paradoxalmente, as faz valorizar ainda mais cada momento. É como se, finalmente, entendêssemos o que realmente importa.

Já um estudo publicado na revista Intelligence mostra que o cérebro atinge seu pico de desempenho entre os 55 e os 60 anos. A mesma pesquisa aponta que o senso de responsabilidade chega ao máximo por volta dos 65, enquanto a estabilidade emocional alcança seu ponto mais alto perto dos 75.

Chegar aos 60 se sentindo ótimo

Para aproveitar plenamente essa década, é preciso cuidar de si e deixar para trás alguns comportamentos que, muitas vezes sem perceber, tiram energia e bem-estar.

Não se trata de se reinventar por completo ou virar outra pessoa, mas de aliviar o peso para viver essa etapa com mais intenção e liberdade. Esses oito hábitos, muito comuns, são um bom ponto de partida para começar a desapegar.

1. Limitar-se por causa da idade

Com frequência, chegar aos 60 ativa uma espécie de freio interno: “isso já não é para mim”, “na minha idade não faz sentido”, “meu momento já passou”. Mas nada poderia estar mais distante da realidade.

Há quem aproveite essa fase para aprender um novo idioma, iniciar um ofício, viajar de outras maneiras ou até empreender quando muitos já estariam pensando em se aposentar. A idade não define sua capacidade — ela apenas marca o número no seu documento. Todo o resto é decisão sua.

2. Descuidar da saúde física

Uma armadilha comum é acreditar que já não vale tanto a pena se esforçar. Justamente agora, porém, cada decisão ligada ao movimento, à alimentação e ao descanso tem um impacto ainda maior. Cuidar do corpo é também cuidar do ânimo: dormir melhor, ter mais energia, sentir-se mais leve… Pequenas mudanças multiplicam o bem-estar.

E se você incluir caminhadas diárias ou treino de força na rotina, vai perceber rapidamente como se sente melhor. Fazer “snacks de movimento” — pequenos exercícios ao longo do dia para manter o corpo ativo — também ajuda. Vale ainda adotar hábitos simples, como fazer compras a pé ou subir escadas em vez de usar o elevador.

3. Resistir às mudanças e viver no passado

A nostalgia é natural, mas se prender ao passado pode se tornar uma fonte silenciosa de estresse. O mundo segue em movimento e se apegar ao que já foi cria apenas fricção interna. Adaptar-se, observar o novo sem medo e permitir-se evoluir é uma forma poderosa de viver com mais leveza e menos resistência.

Não adianta relembrar os tempos felizes com os filhos em casa ou aquele trabalho de que você gostava se, hoje, você não consegue viver o momento e aproveitar o que a vida ainda tem a oferecer.

Revisitar o passado e refletir pode ser útil, mas viver preso ao que poderia ter sido — erros, decisões ou oportunidades perdidas — rouba a vida que está bem diante de você. O presente continua oferecendo caminhos, mesmo que diferentes dos que você imaginou.

4. Descuidar suas paixões

Às vezes, deixamos nossos hobbies de lado por anos, quase sem perceber, por causa do estresse, da falta de tempo e das obrigações. Retomar essas atividades (ou descobrir novas) reacende o entusiasmo, organiza os dias e traz uma alegria que não depende de nada externo. É um lembrete de que continuar crescendo também passa por continuar desfrutando.

5. Apegar-se ao ressentimento

Todos sabemos o que é o ressentimento — esse sentimento que se instala por dentro e, muitas vezes, é difícil de soltar. Pode ser dirigido a alguém ou até a nós mesmos, por algo que fizemos ou deixamos de fazer em algum momento da vida.

Segundo o Centro de Psicologia Canvis, trata-se de “uma emoção complexa que surge da percepção de injustiças, ofensas ou traições. Ela pode se manifestar como um sentimento persistente de amargura e raiva e costuma estar ligada a experiências passadas não resolvidas”.

O ressentimento envelhece por dentro, pesa e turva tudo. Libertar-se dele não significa justificar o que aconteceu, mas romper o vínculo emocional que continua machucando.

Perdoar — os outros e a si mesmo — é uma forma de descanso mental que muitas pessoas descobrem tarde e que transforma profundamente a maneira de viver o presente. Ser gentil consigo mesmo é parte essencial desse processo e um dos pilares da felicidade.

6. Tentar agradar a todo mundo

Há fases da vida em que buscamos agradar a todos. Isso pode vir da forma como fomos criados, da dificuldade em dizer “não”, do medo de rejeição ou até do receio de ficar sozinho.

Com o tempo, porém, muitas pessoas percebem que não somos croquetes: não dá para agradar a todos, nem atender às expectativas do mundo inteiro a cada instante.

Continuar agindo apenas para satisfazer os outros drena energia e deixa pouco espaço para o que realmente importa. Aprender a dizer “não” é uma forma de proteger seu tempo, suas prioridades e sua paz mental.

Não significa se isolar ou recusar tudo; trata-se de encontrar equilíbrio, entender seus limites e estabelecer fronteiras com pessoas e situações que podem fazer você se sentir mal.

7. Esquecer de praticar a gratidão

Segundo o portal Minhas Vida, a gratidão não é um gesto ingênuo nem superficial. É uma ferramenta poderosa, capaz de deslocar o foco da falta para a abundância — do que ainda não temos para o que já existe. Ela nos lembra do quanto somos afortunados neste momento da vida.

Talvez haja alguma dor ou a vitalidade já não seja a mesma, mas também é importante valorizar tudo o que ainda temos nesta fase. Essa mudança de perspectiva transforma a maneira de encarar cada dia.


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