Os mexicanos cultuavam os mortos cerca de mil anos antes de Cristo, mas os cristãos só começaram no século II
Celebrar os mortos é costume antigo da maioria dos povos. Historicamente parece ter iniciado no século II, época em que os cristãos oravam pelos falecidos e faziam visitas aos túmulos dos mártires e Santos.
Segundo o filósofo e pensador espírita, francês, Leon Denis, considerado o consolidador do espiritismo pós Allan Kardec, o estabelecimento de uma data específica para a comemoração dos mortos é uma iniciativa dos druidas, pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento e ensino jurídicos e filosóficos dentro da sociedade Celta, que acreditavam na continuidade da vida após a morte. Reuniam-se nos lares, e não nos cemitérios, no primeiro dia de novembro, para homenagear e evocar os mortos.
No Século V, a Igreja Católica Romana instituiu um dia especial para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Porém somente no século XIII esse dia passou a ser comemorado em 2 de novembro, dia seguinte à Festa de todos os Santos.
México
A origem da celebração no México é bem anterior à chegada dos conquistadores espanhóis. Há relatos que os astecas, os maias, purépechas, nauatles, já praticavam este culto. Os rituais que celebram a morte dos ancestrais se realizavam nestas civilizações pelo menos há três mil anos.
Na era pré-hispânica era comum a prática de conservar os crânios como troféus e mostrá-los durante os rituais que celebravam a morte e o renascimento.
O Dia dos Mortos é uma das festas mexicanas mais animadas, pois, segundo dizem, os mortos vêm visitar seus parentes.
Ela é festejada com comida, bolos, festa, música e doces preferidos dos mortos, os preferidos das crianças são as caveirinhas de açúcar.
Segundo a crença popular, nos dias 1 e 2, chamados de Dias de Muertos, os mortos têm permissão divina para visitar parentes e amigos.
Por isso, as pessoas enfeitam suas casas com flores, velas e incensos, e preparam as comidas preferidas dos que já partiram.
As pessoas fazem máscaras de caveira, vestem roupas com esqueletos pintados ou se fantasiam de morte.
O Dia de Finados para os Protestantes
Após a Reforma Protestante, o Dia de Finados foi fundido ao da Festa de Todos os Santos pois para a Igreja Metodista são Santos todos os fiéis batizados, de modo que é o dia certo para lembrar e celebrar os fiéis mortos.
Em 1816, a Prússia introduziu uma nova data para o Finados, com feriado, entre os cidadãos luteranos: o Totensonntag, ou seja, Domingo dos Mortos, celebrado no último domingo antes do Advento.
Este costume foi mais tarde adotado também pelos protestantes alemães, ainda que não se tenha espalhado muito além das regiões de maioria luterana na Alemanha.
Finados para os Espíritas
Para os Espíritas, visitar o túmulo é a exteriorização da lembrança que se tem do espírito querido e uma forma de manifestar a saudade, o respeito e o carinho, pois segundo consta em O Livro Dos Espíritos, questão 320, a lembrança dedicada aos desencarnados os sensibiliza, conforme sua situação.
Entretanto, como creem que o espírito, ou alma, agora desencarnada, não se encontra mais no cemitério, pode e deve ser lembrada e homenageada através da prece em qualquer lugar.
A prece proferida pelo coração, pelo sentimento, santifica a lembrança e é sempre recebida com prazer e alegria pelo espírito desencarnado.
Allan Kardec, indaga:
“O instintivo respeito que, em todos os tempos e entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição que tem da vida futura?”
E os espíritos respondem:
“É a consequência natural dessa intuição. Se assim não fosse, nenhuma razão de ser teria esse respeito”.