Nova tecnologia vai validar chamadas e identificar fraudes mesmo com números mascarados
Governo federal cria sistema para identificar ligações falsas e evitar golpes telefônicos (Foto Arquivo)
Golpes por telefone estão cada vez mais sofisticados — e mais difíceis de identificar. Pensando nisso, o governo federal prepara a implantação de um sistema que promete mudar esse cenário, permitindo verificar se uma ligação é realmente confiável ou apenas mais uma tentativa de fraude.
A proposta é simples na teoria, mas poderosa na prática: validar a origem das chamadas, mesmo quando criminosos conseguem mascarar números para se passar por bancos, empresas ou órgãos oficiais.
Tecnologia para barrar golpes
O projeto está sendo desenvolvido pelo CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), com investimento de R$ 16,82 milhões até 2028, por meio do Funttel, ligado ao Ministério das Comunicações.
A implementação será feita de forma gradual e ainda depende de testes em parceria com operadoras de telefonia, o que significa que a novidade não chega de uma vez — mas já tem direção clara.
Como vai funcionar na prática
A base do sistema são as chamadas credenciais digitais verificáveis, que funcionam como uma identidade eletrônica segura. Elas serão emitidas por instituições confiáveis, como bancos, operadoras ou órgãos públicos, e armazenadas no celular do usuário.
Na hora de receber uma ligação, o sistema fará uma validação criptográfica — uma espécie de “checagem de autenticidade” — para confirmar se aquela chamada realmente veio da fonte indicada.
Se não houver validação, o alerta é claro: desconfie.
Adeus (ou quase) ao golpe do número falso
Hoje, um dos golpes mais comuns é o chamado spoofing, quando criminosos conseguem fazer o número exibido no celular parecer legítimo — como o de um banco, por exemplo.
Com o novo sistema, não basta o número “parecer certo”. A ligação precisará ter uma assinatura digital válida. Sem isso, será identificada como suspeita, mesmo que o número exibido seja conhecido.
Mais segurança e menos exposição de dados
Outro ponto forte da tecnologia é a proteção de dados. Em vez de concentrar informações em grandes bancos, que podem ser alvo de vazamentos, o sistema aposta na descentralização, inspirada em modelos como blockchain.
Na prática, isso dá mais controle ao usuário e reduz o risco de exposição em massa.
Outras funções além das chamadas
A tecnologia também pode ser usada em outras situações do dia a dia. Entre elas, a possibilidade de bloquear acessos em caso de roubo ou furto do celular, evitando que criminosos usem o aparelho para acessar redes e contas pessoais.
Outro avanço está na validação de informações sem exposição de dados sensíveis. Será possível, por exemplo, comprovar renda ou idade sem precisar informar detalhes completos — um ganho importante em privacidade.
Quando começa?
O projeto teve início em dezembro de 2025 e tem duração prevista de três anos. O alcance final dependerá da adesão de operadoras e instituições envolvidas.
Enquanto isso, a promessa é clara: menos golpes, mais segurança e um pouco de paz na hora que o telefone tocar.