Proteção de crianças no digital, inteligência artificial, saúde mental, mudanças climáticas e transformações no trabalho merecem atenção
Com a aproximação do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para 8 de novembro, milhares de estudantes intensificam a preparação para uma das etapas de maior peso na avaliação: a redação, que pode chegar a 1.000 pontos.
Mais do que tentar adivinhar o tema, acompanhar os principais debates da sociedade e desenvolver a capacidade de analisar problemas contemporâneos pode ser uma estratégia mais eficiente para o candidato.
Para Danielle Capriolli, professora e coordenadora de Língua Portuguesa do Ensino Médio das Escolas Premium do Grupo Seb Education (Pueri Domus, Carolina Patrício e Sphere International School), cinco eixos estão entre os que merecem atenção na preparação para a redação de 2026.
A sugestão é: Proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital; inteligência artificial, desinformação e formação cidadã; saúde mental e hiperconectividade; mudanças climáticas e vulnerabilidade social; e tecnologia e transformações no mundo do trabalho.
Principal aposta
A principal aposta da professora é a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, tema que permite discutir exposição nas redes sociais, cyberbullying, uso das telas, privacidade e a responsabilidade de famílias, escolas, plataformas e poder público.
“É uma discussão que permite ao estudante sair de uma visão individual sobre o uso das redes e discutir responsabilidades coletivas”, afirma Danielle.
A inteligência artificial também pode aparecer, mas, segundo a professora, não necessariamente em uma abordagem genérica sobre seus impactos. Um possível recorte seria a relação entre IA, desinformação e formação cidadã, considerando a facilidade de produzir e disseminar conteúdos falsos.
Outro eixo é a saúde mental dos adolescentes, especialmente relacionada à hiperconectividade, redes sociais, comparação, pressão e cyberbullying.
Já as mudanças climáticas podem ser abordadas a partir da vulnerabilidade social, relacionando eventos extremos a desigualdade, moradia, infraestrutura e responsabilidade do poder público.
E a Inteligência Artificial?
A quinta aposta é a relação entre tecnologia e mundo do trabalho, com discussões sobre inteligência artificial, automação, novas relações profissionais, qualificação e proteção dos trabalhadores.
Danielle também recomenda que os estudantes acompanhem temas como violência escolar, etarismo, misoginia e radicalização no ambiente digital, direito à cidade e diferentes formas de exclusão social.
O envelhecimento da população, tema da redação de 2025, não seria uma aposta para repetição direta, mas recortes como etarismo e participação social da população idosa ainda podem ser considerados.
Apesar das apostas, a professora reforça que o estudante não deve se preparar para “adivinhar” o tema. “O aluno realmente preparado é aquele que consegue receber um tema que nunca viu antes e pensar: ‘Eu não estudei exatamente isso, mas consigo compreender o problema e argumentar sobre ele’. É essa capacidade que precisamos desenvolver”, conclui.