Dengue: doença pode levar à queda de cabelo; entenda

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 9 de junho de 2024 às 12:00
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Assim como na Covid-19, pacientes que tiveram dengue podem sofrer queda de cabelo, o que pode envolver a perda de até um terço dos fios

Assim como a covid-19, dengue pode causar queda de cabelo – foto Arquivo

 

Mais de 4 milhões de pessoas se contaminaram pelo vírus da dengue no Brasil em 2024. Esse representa o maior surto da doença no país, que causa uma série de sintomas relacionados ao estresse fisiológico. E entre eles está a queda de cabelo.

“Já é bem documentado cientificamente que, alguns meses depois de ter febre alta ou se recuperar de uma doença, muitas pessoas percebem uma perda de cabelo”, explica a dermatologista Lilian Brasileiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O que explica a queda de cabelo após a dengue

Segundo a especialista, esse quadro é chamado de Eflúvio Telógeno. A condição acontece quando os cabelos saem da fase de crescimento (anágena) e entram precocemente na fase de queda (telógena).

“Vários fatores podem desencadear o eflúvio telógeno: infecções virais diversas, como Covid-19 e dengue, cirurgias, medicamentos, início ou interrupção de anticoncepcional, estresse emocional, dietas restritivas, entre outros”, alerta a dermatologista.

Lilian aponta que a queda de cabelo nessas situações de infecção e alta inflamação não é um fenômeno surpreendente. Além disso, é possível notá-lo geralmente cerca de até três meses depois da infecção.

Segundo ela, esse tipo de queda capilar assusta os pacientes, pois pode envolver a perda de até um terço do volume do cabelo.

De acordo com a especialista, os pacientes relatam que “punhados” de cabelo saem da cabeça ao tomar banho ou escovar o cabelo, sintoma que pode durar de 3 a 6 meses.

O cabelo volta a crescer?

Felizmente, esse processo é geralmente temporário e autoresolutivo. Isso porque cerca de 85% a 90% do cabelo de uma pessoa saudável está na fase anágena ou no estágio ativo de crescimento.

O resto do cabelo está em uma fase de repouso, também conhecida como fase telógena.

“A queda do cabelo é normal, pois o cabelo permanece na fase anágena por cerca de dois a quatro anos,. Depois vai para a fase telógena, onde cai para ser substituído por novos”, afirma a médica.

“Na condição chamada eflúvio telógeno, mais fios de cabelo entram na fase de repouso, resultando em maior queda, principalmente da parte superior do couro cabeludo”, completa a especialista.

Após aproximadamente 6 meses de queda capilar, a maioria das pessoas vê a diminuição do problema e o cabelo voltando ao normal.

“Porém, de 10 a 20% desses pacientes podem não melhorar espontaneamente, necessitando de tratamento. Nesses casos, vale a pena passar por uma consulta médica para investigar outras causas de perda dos fios e então tratar adequadamente”, completa Lilian.

A doença também pode agravar quadros de queda capilar pré-existentes.

“Por exemplo, se o paciente já sofre com alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície, esse quadro será mais acentuado. Consequentemente, mais difícil de recuperar”, diz a médica.

*Informações Saúde em Dia