Conviver com pessoas difíceis causa envelhecimento precoce, diz estudo

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 15 de março de 2026 às 07:30
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Estresse crônico causado por familiares e colegas de trabalho mantém cortisol elevado e acelera o relógio biológico

Estudo aponta que conviver com pessoas difíceis pode acelerar o envelhecimento biológico e aumentar níveis de estresse (Foto Arquivo)

 

Um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), dos Estados Unidos, aponta que relacionamentos estressantes podem acelerar o envelhecimento biológico.

A pesquisa analisou dados de mais de 2,3 mil adultos do estado de Indiana, cruzando informações sobre as redes de relacionamento dos participantes com amostras de saliva, usadas para avaliar marcadores de envelhecimento no DNA.

Os resultados indicaram que cada pessoa considerada difícil ou fonte de desconforto na vida de um indivíduo pode aumentar em cerca de 1,5% o ritmo de envelhecimento biológico.

Estresse crônico como fator de desgaste

Segundo o sociólogo Byungkyu Lee, da Universidade de Nova York e autor principal do estudo, relacionamentos negativos podem atuar como fontes de estresse constante.

De acordo com ele, a convivência frequente com pessoas que geram tensão pode transformar a rotina em uma experiência emocionalmente desgastante.

Esse processo está relacionado ao chamado estresse crônico, condição em que os sistemas de alerta do organismo permanecem ativados por longos períodos.

Quando isso ocorre, o corpo libera continuamente hormônios como o cortisol, associados à resposta ao estresse, além de desencadear processos inflamatórios. Com o tempo, esse desgaste pode afetar mecanismos biológicos ligados ao envelhecimento.

Impactos na saúde

Além da aceleração do envelhecimento celular, o estudo também associou relacionamentos desgastantes a outros problemas de saúde, como:

– níveis mais altos de ansiedade e depressão
– pior percepção da própria saúde
– índices de massa corporal (IMC) mais elevados

Esses fatores, segundo os pesquisadores, podem contribuir para um quadro geral de pior qualidade de vida.

Família e trabalho aparecem como principais fontes de tensão

Contrariando a ideia de que amizades seriam as principais causas de estresse, o estudo mostrou que apenas uma pequena parcela dos amigos foi considerada fonte frequente de desconforto.

A maior parte das relações classificadas como difíceis estava ligada a familiares — especialmente pais e filhos — além de colegas de trabalho ou pessoas que compartilham o mesmo ambiente de convivência.

Para os pesquisadores, isso acontece porque esses vínculos são mais difíceis de romper ou redefinir, já que envolvem obrigações familiares ou convivência cotidiana.

Relação ainda não é causal

Apesar da associação observada entre convivência estressante e envelhecimento acelerado, os autores do estudo destacam que os resultados não comprovam uma relação direta de causa e efeito.

Outros fatores, como condições ambientais, estilo de vida e predisposição genética, também podem influenciar o processo de envelhecimento.

Ainda assim, os pesquisadores afirmam que os resultados reforçam a importância de cultivar relações sociais mais saudáveis e reduzir fontes de estresse no cotidiano.

A pesquisa também traz uma reflexão adicional: além de cuidar das próprias relações, é importante evitar se tornar a “pessoa difícil” que pode impactar negativamente a saúde emocional e física de quem está ao redor.

Fonte: Pequenas Empresas, Grandes Negócios


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