Desde o começo das entrevistas em agosto, 27% dos imóveis visitados recusaram a entrevista, o que equivale a 15.630 de um total de 57.735 residências
Recenseadora Maria Aparecida Teixeira enfrenta diversos problemas para realizar seu trabalho – foto Jefferson Severiano Neves / EPTV
O coordenador do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Franca, Amilton Leal, diz que notícias falsas, medo da violência e política estão entre os fatores que dificultam o trabalho dos recenseadores na cidade.
Desde o começo das entrevistas em agosto, 27% dos imóveis visitados recusaram a entrevista, o que equivale a 15.630 de um total de 57.735 residências.
“Eu acredito que seja por vários motivos, o período eleitoral que a gente está passando, as pessoas estão receosas de receber pessoas estranhas em casa, até por medo, da insegurança, da violência, das fake news”.
“Temos recebido várias e várias notícias falsas na internet, nas redes sociais e isso tem atrapalhado bastante nosso trabalho”, diz.
A recenseadora Maria Aparecida Teixeira já enfrentou problemas mesmo atuando no mesmo bairro onde mora.
Ela conta que precisou voltar à casa de um morador que já havia começado a entrevista porque o sistema operacional de lançamento de dados travou.
No retorno, foi recebida pela sogra dele, que colaborava com a entrevista até lembrar de uma orientação da filha.
“Quando foi para dar a data de nascimento das crianças, ela disse que não ia falar mais porque a filha disse que não era para dar”.
“Aí eu falei ‘mas é nisso que consiste o Censo, a gente precisa desses dados, idade, data de nascimento, nomes completos, características do domicílio’. Passou”.
“Um outro dia eu voltei, o rapaz estava na porta chegando e eu corri até ele para poder realizar a entrevista, e ela [esposa] já não deixou. Gritava que não era para fazer e simplesmente não deixou.”
Para Maria Aparecida, muitas pessoas temem a violência e a ação de golpistas, mas o período eleitoral tem pesado na decisão das pessoas em recusar o fornecimento de dados.
“Eu penso que muitas pessoas não estão entendendo realmente o que é o Censo. Infelizmente, caiu em uma época política, eleitoral, e como muitas pessoas não gostam de políticas, outros são revoltados, eles estão ligando o Censo à política. A gente precisa explicar, explicar, e aí elas vão entender e muitos respondem de boa.”
Como reconhecer um recenseador
Lopes afirma que todos os recenseadores estão uniformizados. A própria identificação do agente pode ser consultada em tempo real pelo morador através do QR Code impresso no crachá dele e que é reconhecido pela câmera do celular.
“Ele vem com uniforme completo, o boné, o colete, a bolsa do IBGE, material completo. E no colete tem o crachá. Nesse crachá tem um QR code, além dos documentos de identificação do recenseador. Pelo QR Code, o morador é direcionado ao site do IBGE e ele verifica se é realmente um contratado do IBGE”, explica Lopes.