Especialista reforça que cuidados na recuperação de uma pessoa que teve AVC são essenciais para garantir qualidade de vida
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das condições de saúde mais graves e frequentes no Brasil, representando um grande desafio para o sistema público e para milhares de famílias todos os anos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de AVC, o país pode registrar entre 232 e 344 mil novos casos anualmente — o equivalente a um caso a cada 1,5 a 2 minutos.
O Ministério da Saúde define o AVC como a interrupção ou rompimento dos vasos sanguíneos que levam oxigênio ao cérebro, o que provoca a paralisia da região afetada.
A doença acomete mais homens e está entre as principais causas de morte e incapacidade no mundo. Quando o atendimento médico é rápido, aumentam as chances de recuperação total, mas a realidade mostra que muitas pessoas ficam com sequelas que exigem atenção prolongada.
Retorno ao dia a dia
“A procura por assistência profissional tem crescido de forma significativa, especialmente entre idosos que sofreram um AVC. As famílias têm percebido que a recuperação exige cuidado contínuo e especializado”, afirma o geriatra Vitor Hugo de Oliveira, cofundador da Acuidar, maior rede de cuidadores da América Latina.
Essa demanda reflete o entendimento de que o retorno ao dia a dia não acontece apenas com medicação, mas com suporte multidisciplinar e constante.
É nesse contexto que os cuidados após o AVC se tornam determinantes. O processo de reabilitação envolve acompanhamento clínico, terapias específicas e atenção integral para reduzir riscos e promover autonomia.
Para que o paciente conquiste mais qualidade de vida, alguns pontos são considerados essenciais, e cada um deles requer orientação adequada.
Mantenha acompanhamento médico rigoroso
O tratamento do paciente que sofreu um AVC não termina com a alta hospitalar. O seguimento contínuo com especialistas é indispensável para ajustar medicações, monitorar fatores de risco como hipertensão e diabetes e avaliar eventuais complicações.
“O comparecimento às consultas e a adesão às prescrições médicas garantem maior proteção contra novos episódios e fortalecem o processo de recuperação”, reforça Vitor Hugo.
Invista em fisioterapia e reabilitação motora
A movimentação controlada e orientada por fisioterapeutas é uma das chaves para devolver autonomia ao paciente. Exercícios de fortalecimento, alongamentos e técnicas específicas ajudam a reduzir rigidez muscular, restaurar a coordenação e melhorar a marcha.
Quanto mais cedo a fisioterapia é iniciada, maiores são os ganhos funcionais, reduzindo significativamente as limitações físicas.
“O início precoce da fisioterapia é determinante para prevenir contraturas, evitar a perda de massa muscular e estimular a reorganização neurológica. Esses fatores impactam diretamente na velocidade e na qualidade da recuperação”, explica a fisioterapeuta Jéssica Ramalho, CEO da Acuidar.
Procure por assistência profissional
Contar com um cuidador treinado faz toda a diferença para a segurança e evolução do paciente. “Um cuidador capacitado garante acompanhamento nas atividades básicas, administra corretamente os horários de medicação e contribui para evitar complicações, como quedas e isolamento social”, explica o Dr. Vitor Hugo de Oliveira.
A presença desse profissional oferece tranquilidade à família e permite que o paciente receba estímulos contínuos ao longo do dia.
Estimule a comunicação e o suporte emocional
O AVC pode afetar diretamente a fala, a deglutição e a cognição, comprometendo a interação do paciente com o ambiente.
Por isso, a fonoaudiologia atua na recuperação das funções comunicativas e alimentares, enquanto a terapia ocupacional e o acompanhamento psicológico fornecem recursos para enfrentar as limitações emocionais.
Estimular a comunicação, valorizar pequenas conquistas e oferecer apoio afetivo são práticas que impactam profundamente na qualidade de vida.