Além das demissões, as mulheres têm mais dificuldades para procurar uma vaga, observa especialista
Os efeitos da pandemia no mercado de trabalho são mais severos para as mulheres e ainda mais cruéis com aquelas que têm filhos pequenos.
A conclusão é de uma pesquisa feita pela Famivita — empresa que desenvolve produtos relacionados à fertilidade —, segundo a qual 52% das mães perderam renda durante a quarentena. O estudo também constatou que 39% das mães ficaram sem seus empregos, incluindo as trabalhadoras informais.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, mostrou também que sete milhões de mulheres abandonaram o mercado de trabalho na última quinzena de março, quando começou a quarentena. São dois milhões a mais do que o número de homens na mesma situação.
Além das demissões, as mulheres têm mais dificuldades para procurar uma vaga, observa Bruno Ottoni, especialista do iDados e pesquisador associado do FGV- IBRE:
“As mulheres ainda dedicam um tempo maior do que os homens aos cuidados da casa e da família. Elas cuidam mais das crianças, e as escolas e creches estão fechadas”.
O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Marcos Hecksher calculou que é a primeira vez nos últimos três anos que a maioria das mulheres está fora da força de trabalho (aqueles que estão trabalhando ou procurando emprego).
“Se a participação feminina ainda fosse a média dos três anos anteriores, o esperado seriam 46 milhões de mulheres na força de trabalho e 41 milhões fora dela. A maioria das mulheres estava na força de trabalho. Agora, a maioria ficou fora”, afirma.
A gravidade do cenário cresce em relação a outro dado: o aumento do comando feminino nos lares brasileiros. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o percentual de domicílios no país chefiados por elas passou de 25%, em 1995, para 45%, em 2018.
As mulheres também estão em situação mais vulnerável no mercado de trabalho porque a informalidade é mais alta entre elas. A participação feminina no setor formal é menor do que a dos homens. Enquanto o percentual dos que atuam sem carteira assinada está hoje em 31,4%, o índice de mulheres chega a 39,7%.