Didi, Dedé, Mussum e Zacarias atravessaram gerações com humor, filmes e bordões que permanecem até hoje
Durante anos, chegar a noite de domingo significava reunir a família em frente à televisão. Antes de começar uma nova semana, milhões de brasileiros tinham um compromisso com o humor de Os Trapalhões, programa que marcou profundamente a história da televisão e se tornou parte da memória afetiva de diferentes gerações.
Didi, Dedé, Mussum e Zacarias formaram um dos quartetos mais populares do humor brasileiro. Na TV Globo, o programa estreou em março de 1977 e permaneceu no ar por 18 anos, inicialmente aos domingos. A atração era formada principalmente por esquetes, paródias, números musicais e personagens que se tornaram conhecidos em todo o país.
O sucesso foi tão grande que Os Trapalhões se transformaram em um fenômeno que ultrapassou a televisão. O grupo estrelou diversos filmes, lançou discos e levou seus personagens para diferentes formatos. Expressões e bordões utilizados por Didi e Mussum, além dos trejeitos de Zacarias e da postura de Dedé, passaram a fazer parte do cotidiano dos brasileiros.
Uma história que começou antes da Globo
Apesar de a fase mais conhecida ter acontecido na Globo, a história dos Trapalhões começou antes. Renato Aragão e Dedé Santana já trabalhavam juntos na televisão quando o grupo foi sendo formado. Na década de 1970, Mussum e Zacarias se juntaram aos dois, consolidando a formação que ficaria conhecida em todo o país.
A chegada à Globo, em 1977, marcou uma nova etapa. O programa ganhou espaço nas noites de domingo e se tornou uma das principais atrações humorísticas da televisão brasileira. Ao longo dos anos, o formato passou por mudanças, incluindo gravações externas, presença de público e transmissões ao vivo, mas manteve como base as esquetes protagonizadas pelo quarteto.
O quarteto se desfaz
A trajetória de Os Trapalhões também foi marcada por perdas. Em 1990, morreu Zacarias, aos 56 anos, após uma embolia pulmonar. O grupo decidiu continuar com o programa, mas a ausência do humorista alterou definitivamente a formação original.
Quatro anos depois, em 1994, morreu Mussum, aos 53 anos, em decorrência de problemas cardíacos. A perda do companheiro teve grande impacto sobre Renato Aragão e contribuiu para o encerramento da produção regular do programa. Em 1995, Os Trapalhões deixaram definitivamente de produzir episódios inéditos.
E como estão Didi e Dedé?
Dos quatro integrantes da formação mais famosa, Renato Aragão, o Didi, e Dedé Santana são os únicos que permanecem vivos.
Aos 91 anos, Renato Aragão continua ligado ao universo do entretenimento e mantém presença pública, embora esteja distante da rotina de programas de televisão que marcou sua carreira. O humorista completou 91 anos em janeiro de 2026.
Didi construiu uma carreira que ultrapassou Os Trapalhões. Depois do fim do grupo, continuou na televisão e protagonizou programas como A Turma do Didi e Aventuras do Didi, além de participar de especiais e outros projetos.
Dedé Santana, por sua vez, nasceu em 29 de abril de 1936 e completou 90 anos em 2026. Filho de artistas circenses, ele começou a carreira ainda criança e carregou a experiência do circo para a televisão. Depois do fim dos Trapalhões, continuou trabalhando como ator e humorista, além de manter ligação com o universo circense e participar de projetos na televisão e no teatro.
Didi e Dedé também voltaram a trabalhar juntos depois do fim do quarteto. Entre 1994 e 1996, os dois participaram de programas exibidos em Portugal e, anos mais tarde, Dedé voltou a atuar ao lado de Renato em A Turma do Didi.
Uma memória que permanece
Mais de três décadas depois das últimas apresentações da formação original, a imagem de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias continua presente na cultura popular brasileira. As reprises, os filmes, os bordões e os trechos de programas ajudam a manter viva a lembrança de um período em que o humorístico fazia parte da rotina de milhões de famílias.
Os Trapalhões conseguiram algo raro na televisão: ultrapassaram a audiência de uma época e se transformaram em referência para diferentes gerações. Para quem viveu aquelas noites de domingo, ouvir uma expressão de Didi, lembrar do jeito de falar de Mussum ou imaginar as trapalhadas de Zacarias e Dedé é suficiente para voltar, por alguns instantes, a uma época em que a diversão de uma família inteira cabia diante da televisão.