Eleições: metade dos brasileiros deixa de comentar voto em casa para evitar brigas

  • Robson Leite
  • Publicado em 13 de setembro de 2026 às 09:00
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Dados convivem com uma contradição: 98% dos homens afirmam que homens e mulheres têm a mesma capacidade de avaliar candidatos.

47% dos brasileiros deixam de comentar votos em casa para evitar conflito. Enquanto 22% dos homens ainda acham aceitável insistir para que a companheira mude o voto. 1 em cada 4 homens brasileiros acredita que mulheres são “mais emocionais” e que isso pode “atrapalhar suas decisões políticas”.

67% dos brasileiros já ouviram que “mulher não sabe votar” e 47% da população sabe que existe nas redes uma tentativa de deslegitimar e desestimular o voto feminino.

Com a participação de 1.449 brasileiros eleitores, entre 1 e 4 de setembro de 2026, a pesquisa ainda mostra que 20% dos homens se consideram mais centrados na hora de votar e 23% deles ignoram falas machistas do candidato na hora de escolher em quem votar.

Do lado da mulher o cenário muda: 80% delas levam em consideração falas machistas de candidatos.

Pesquisa detalhada

Os dados são da pesquisa inédita realizada pela Hibou Pesquisas e Insights exclusivamente para “Red é de Sangue”, plataforma educacional contra a influência misógina nas redes, com apoio da HeForShe (movimento global da ONU Mulheres que engaja homens e meninos pela igualdade de gênero), Sindilegis, Grupo MEMOH, entre outros.

O voto da mulher ainda é assunto de casal

73% dos brasileiros dizem que os cônjuges não devem votar no mesmo candidato.

Número alto, mas só até se perceber o que sobra: 9% acham que sim, e 18% acham que “depende”. Entre os homens, 16% acham que o casal deve decidir junto em quem votar, ou seja, que o voto deixa de ser individual para virar pauta doméstica.

E quando o parceiro discorda? 22% dos homens consideram aceitável tentar convencer insistentemente a parceira a mudar o voto. Mais do dobro do índice entre as mulheres, que é de 10%.

Contradição

Os números convivem com um dado aparentemente contraditório: 98% dos homens afirmam que homens e mulheres têm a mesma capacidade de avaliar candidatos.

O Brasil masculino diz uma coisa de primeira, mas pensa outra na profundidade.

70% das mulheres afirmam que uma mulher que expressa opinião política forte é mais chamada de “histérica”, “emocional” ou “desequilibrada” do que um homem na mesma situação. Entre os homens, apenas 28% reconhecem que isso acontece.

O mesmo padrão aparece quando se pergunta sobre conteúdo misógino nas redes: 62% das mulheres já viram posts dizendo que mulheres não deveriam votar ou são facilmente manipuláveis. Entre os homens, apenas 33% relatam ter visto esse tipo de conteúdo.

O candidato machista ainda tem voto

Somente 23% dos eleitores homens brasileiros dizem levar em conta falas ou posições machistas do candidato na hora de votar e outros 14% dizem que “às vezes”.

Ou seja, mais de um terço dos homens deixa o machismo do candidato passar, total ou parcialmente, na hora de decidir o voto.

96% dos brasileiros deixariam de votar em candidato com histórico de corrupção.

“É a misoginia do voto, um conjunto de crenças enraizadas e normalizadas que permeiam movimentos contra o voto feminino nas redes sociais, encabeçados por influenciadores ‘Red Pill’”, diz Ligia Mello, CSO da Hibou e Coordenadora da Pesquisa.

O levantamento na íntegra está disponível para download na plataforma Red é de Sangue

Plataforma

A plataforma www.redsangue.com.br reúne conteúdos educativos, tutorial para denúncia de ódio online, e acesso a grupos de reflexão.

“A misoginia não vive só nas redes. Ela está na forma como o voto da mulher ainda é tratado como assunto coletivo, como algo a ser negociado ou convencido”, diz Ana Beatriz Schauff, CEO da Fresh PR e idealizadora do Red é de Sangue.

Segundo ela, “comunicação é nossa ferramenta de enfrentamento, e esses dados mostram por que ela ainda é urgente.”