Prática viral não elimina neurotransmissor, mas ajuda a interromper o uso automático de telas e recuperar o foco
Detox de dopamina existe? Entenda o mito do reset no cérebro e veja como reduzir o uso do celular (Foto Arquivo)
O chamado “detox de dopamina” ganhou enorme popularidade nas redes sociais como uma promessa de limpar o organismo e “resetar” o cérebro após períodos de uso excessivo do celular. No entanto, a ciência alerta: o termo é um mito neurocientífico.
A dopamina não é uma toxina acumulada, mas sim um neurotransmissor essencial para a motivação, o aprendizado, a memória e a atenção.
Segundo a psicóloga Amanda Amorim, do Hospital Mantevida, é impossível e contraindicado “zerar” a substância.
O que o cérebro vivencia ao ficar longe das telas não é uma faxina química, mas sim a interrupção de um ciclo de hábitos automáticos.
Por Que o Celular Vicia Tanto?
A dinâmica das redes sociais explora o sistema de recompensa do cérebro. Notificações, curtidas e vídeos curtos criam a expectativa constante de uma novidade agradável. Como essa recompensa é imprevisível, surge o impulso compulsivo de checar o aparelho a todo momento.
A especialista destaca que existe uma diferença entre o “gostar” e o “querer”. Muitas vezes, a pessoa continua rolando o feed por mera ansiedade, tédio ou procrastinação, mesmo quando a atividade já não gera nenhum prazer real.
Estratégias para Reduzir o Uso de Telas
Embora o “reset” seja um mito, afastar-se do smartphone traz benefícios comprovados para a saúde mental ao devolver a autonomia sobre o próprio tempo. Confira orientações práticas para desacelerar:
Prazos graduais: Comece com metas pequenas, como ficar 30 minutos sem o celular antes de dormir ou realizar as refeições sem o aparelho por perto;
Controle de estímulos: Desative notificações não essenciais e mantenha o dispositivo longe durante tarefas que exigem concentração;
Atenção às emoções: Observe qual sentimento (solidão, estresse ou cansaço) desperta a vontade de pegar o celular;
Troca de hábitos: Substitua o tempo de tela por leitura, exercícios físicos, conversas presenciais ou atividades ao ar livre.
Caso o uso do celular esteja afetando o sono, o trabalho, os estudos ou as relações pessoais de forma persistente, a orientação é buscar suporte profissional especializado.