Especialistas em saúde mental explicam os impactos do endividamento no comportamento e dão orientações de apoio
Saiba como o estresse por problemas financeiros afeta a mente e descubra como estender a mão para quem está sofrendo por pressão com dívidas (Foto Arquivo)
A deterioração da saúde mental manifesta-se de forma nítida na alteração dos hábitos diários e na reatividade emocional do paciente. É comum que o indivíduo sob forte pressão financeira passe a apresentar quadros frequentes de insônia, perda ou aumento repentino de apetite, fadiga crônica e episódios recorrentes de irritabilidade e oscilações de humor.
A mente, focada integralmente na busca por uma saída para os débitos, perde a capacidade de concentração em atividades profissionais e momentos de lazer.
O agravamento da ansiedade pode evoluir para crises de pânico, desespero e uma sensação persistente de desesperança em relação ao futuro.
Em casos mais agudos, a sensação de aprisionamento gerada pelas restrições de crédito e pela perda de patrimônio mina a autoestima e a autoconfiança da vítima.
As redes de apoio do entorno devem permanecer em estado de atenção caso observem falas que indiquem inutilidade, cansaço extremo da vida ou o desejo de sumir das responsabilidades.
Como Oferecer Apoio sem Gerar Julgamentos
Estender a mão para alguém que enfrenta a asfixia psicológica das dívidas exige empatia, escuta ativa e total ausência de julgamentos ou críticas morais sobre as escolhas financeiras do passado.
O primeiro movimento de ajuda consiste em criar um ambiente seguro e acolhedor onde a pessoa sinta-se à vontade para desabafar e externalizar o sofrimento, validando as dores e deixando claro que o valor de um ser humano não se mede pelo saldo bancário.
O suporte prático envolve auxiliar o endividado a encarar a realidade dos números de maneira racional, sem o peso do desespero.
Amigos e familiares podem se oferecer para acompanhar o indivíduo na organização de uma planilha de gastos, no mapeamento dos credores ou no agendamento de consultas com profissionais de mediação de crédito e assistência jurídica gratuita.
O direcionamento para o acompanhamento psicoterápico e para serviços de apoio emocional, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), consolida o processo de reestruturação da dignidade humana.