Reconheça 9 sinais de que a amizade é tóxica e como se distanciar sem confrontos

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 21:00
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Estudos mostram que a maioria dos rompimentos entre amigos não ocorre devido a grandes conflitos, como em um romance, mas como uma dissolução gradual

O fim de uma amizade pode doer tanto quanto um término amoroso, mesmo quando acontece em silêncio e sem brigas (Foto Freepik)

 

O fim de uma amizade pode doer tanto quanto um término amoroso, mesmo quando acontece em silêncio e sem brigas.

Morar em cidades diferentes nunca foi um problema. Nem divergências políticas, religiosas ou esquecimentos de aniversário.

Mas quando Carmen descobriu pelas redes sociais que Julieta havia organizado um jantar de Ano Novo — e não a convidado — algo ficou claro sem precisar ser dito: a amizade tinha acabado. Não houve discussão. Só um vazio. E, às vezes, isso dói ainda mais.

O término de uma amizade raramente tem o roteiro dramático dos romances. Na maioria das vezes, ele acontece de forma lenta, quase imperceptível, até que o distanciamento deixa de ser fase e vira padrão.

O problema é que, diferente dos relacionamentos amorosos, não há rituais claros de encerramento. Falta linguagem, falta validação social e, muitas vezes, falta até permissão para sofrer.

Dor invisível, mas profunda

Especialistas explicam que a perda de uma amizade pode ser especialmente dolorosa porque envolve uma intimidade escolhida, espontânea e não regulamentada.

Amigos acompanham transições de vida, conhecem fragilidades e compartilham partes da identidade que nem sempre aparecem em outros vínculos.

Culturalmente, a amizade é vista como estável e incondicional. Frases como “amigos são para sempre” criam a expectativa de permanência.

Quando esse vínculo se rompe, o impacto pode ser desorientador. Diferente do fim de um namoro ou casamento, não existem “rótulos” que organizem o luto. Não há divórcio, não há ex-oficial, não há ritual social reconhecido.

Um luto sem manual

Do ponto de vista psicológico, o luto por uma amizade segue etapas semelhantes às de um término amoroso. Primeiro vem o choque, depois a tentativa de negar ou idealizar o passado.

Em seguida, surgem tristeza profunda, possível apego ansioso e até raiva. Com o tempo, pode chegar a reorganização interna, quando a experiência é integrada à própria história.

O mais difícil é que, muitas vezes, esse processo é unilateral. Um dos dois sofre mais. O outro já seguiu em frente.

Por que amizades acabam?

Estudos mostram que a maioria das amizades não termina por grandes conflitos, mas por mudanças ao longo do tempo.

Transições como casamento, filhos, mudanças de cidade ou carreira alteram prioridades e ritmos de vida. Às vezes, os valores deixam de convergir.

Também podem pesar desequilíbrios no esforço investido, competitividade, microagressões repetidas, falta de reciprocidade ou confiança abalada. Em outros casos, simplesmente o ciclo se encerra. E aceitar isso costuma ser o mais difícil.

Como lidar com o vazio

Especialistas recomendam reconhecer a dor sem minimizá-la. Escrever sobre o que foi vivido, reorganizar rotinas e fortalecer outras redes de apoio ajudam no processo.

Nem sempre é necessário — ou saudável — buscar uma conversa final. O encerramento pode ser interno.

E há espaço para reconciliação? Sim, mas apenas quando existe reconhecimento de erros, responsabilidade emocional e disposição genuína para construir algo novo. Voltar ao que era antes raramente é possível.

No fim, amizades revelam quem somos e como nos conectamos. Quando terminam, deixam marcas — mas também aprendizados. Nem toda história precisa durar para sempre para ter sido verdadeira.

Fonte: O Globo