Para avaliar se essa antecipação compensa, o contribuinte precisa comparar esse percentual com o rendimento mensal médio de sua reserva financeira
Muitos motoristas se deparam com uma dúvida: vale a pena usar parte da reserva de emergência para quitar o IPVA à vista e obter o desconto? (Foto Arquivo)
Com o início do calendário de pagamento do IPVA, muitos motoristas se deparam com uma dúvida: vale a pena usar parte da reserva de emergência para quitar o imposto à vista e obter o desconto oferecido pelos estados?
A resposta passa por um cálculo e exige atenção ao conceito de rentabilidade mensal. Em geral, o desconto para pagamento à vista do IPVA gira em torno de 3%.
Para avaliar se essa antecipação compensa, o contribuinte precisa comparar esse percentual com o rendimento mensal médio de sua reserva financeira.
Aplicar ou pagar? Entenda os cálculos
Hoje, mesmo aplicações bem escolhidas dificilmente superam 1% a 1,2% ao mês, segundo especialistas.
“O raciocínio é comparar ganhos mensais, porque o imposto, quando parcelado, é pago mês a mês. Se o desconto à vista é de 3%, isso equivale a obter um rendimento muito superior ao que a maioria das aplicações financeiras entrega em um único mês”, explica o professor de MBAs da FGV e especialista no setor automobilístico, Antônio Jorge Martins.
Ao pagar R$ 97 em vez de R$ 100, por exemplo, o contribuinte está garantindo um ganho imediato de 3%. “É como se essa pessoa estivesse obtendo um retorno de 3% no mês, algo que praticamente nenhuma aplicação consegue hoje”, destaca Martins.
Deixar guardado ou pagar à vista?
Segundo o especialista, manter o dinheiro aplicado para render cerca de 1% ao mês e abrir mão do desconto não costuma ser financeiramente vantajoso.
“Se o dinheiro continuar aplicado, o rendimento será menor do que o benefício obtido com o desconto. Se não pagar R$ 97 agora, a pessoa pagará R$ 100 depois”, afirma.
Martins ressalta, porém, que a decisão só faz sentido para quem realmente possui uma reserva estruturada e não faça falta para o montante.