Atividade física em casa se consolida como novo padrão de bem-estar no Brasil

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 19:00
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Com mais de 40% dos brasileiros fisicamente ativos, prática que ganhou espaço em 2025 entra em 2026 consolidada na rotina de bem-estar

Indicadores recentes de saúde e consumo mostram que o treino em casa deixou de ser exceção, ganhou espaço ao longo de 2025 e entra em 2026 consolidado como parte permanente da rotina de bem-estar dos brasileiros, em um contexto em que mais de 40% da população adulta já se declara fisicamente ativa.

Impulsionada pela reorganização do dia a dia, pela economia de tempo e pela busca por mais autonomia, a prática doméstica de exercícios reflete mudanças estruturais no comportamento do consumidor, com impactos diretos no mercado fitness, no varejo digital e no ecossistema de saúde

“O mercado fitness está sendo redesenhado a partir do comportamento do consumidor. Quem não entender que conveniência e flexibilidade são hoje critérios decisivos vai perder relevância”, afirma Bruno Homero, CEO da DNVB Brands, grupo responsável pela Born Active, marca brasileira de equipamentos fitness.

Os dados oficiais mais recentes do Vigitel Brasil 2023, levantamento do Ministério da Saúde divulgado em 2024, reforçam essa transformação.

Mais atividades físicas em casa

Segundo o estudo, a proporção de adultos fisicamente ativos no tempo livre passou de 30,3% em 2009 para 40,3% em 2023, enquanto a parcela de adultos considerados insuficientemente ativos apresentou redução gradual no período, indicando maior incorporação da atividade física à rotina cotidiana.

A consolidação do home fitness está diretamente associada a três fatores principais: rotina híbrida, economia de tempo e busca por conforto e autonomia.

A expansão do trabalho remoto e híbrido permitiu uma reorganização do cotidiano, facilitando a inclusão da atividade física dentro de casa, sem dependência de deslocamentos ou horários fixos.

Entre as modalidades mais comuns no ambiente doméstico estão caminhada indoor, bicicleta ergométrica e exercícios funcionais, atividades que exigem pouco espaço e oferecem flexibilidade de horário.

Comportamento caseiro

Esse comportamento acompanha a evolução do setor fitness no Brasil, que reúne dezenas de milhares de negócios ligados a atividades físicas e bem-estar, segundo levantamentos setoriais do Sebrae, e movimenta bilhões de reais por ano, impulsionado pela diversificação de formatos e pela digitalização do consumo.

Indicadores de consumo digital reforçam essa consolidação. Levantamentos da Nubimetrics, plataforma de inteligência de mercado do e-commerce, mostram que bicicletas ergométricas e esteiras estão entre os produtos fitness mais buscados pelos consumidores em 2025, sinalizando demanda por soluções domésticas de treino.

Esse movimento é observado na prática por empresas que atuam no setor. A Born Active, marca brasileira de equipamentos fitness controlada pela DNVB Brands, atua com foco em soluções compactas e dobráveis, voltadas ao treino doméstico em espaços reduzidos, combinando tecnologia e performance para rotinas mais flexíveis.

No terceiro trimestre de 2025, a marca registrou crescimento de 200% nas vendas, com a comercialização de cerca de 1.000 unidades, além de aumento de 8% no ticket médio, indicando maior disposição do consumidor em investir em soluções voltadas ao treino em casa.

Soluções convenientes

“Quando vemos aumento consistente de demanda, ticket médio mais alto e interesse contínuo ao longo do ano, fica claro que o treino doméstico deixou de ser circunstancial. O consumidor está disposto a investir em soluções que ofereçam conveniência e constância”, complementa Homero.

O treino em casa se insere em uma lógica mais ampla de hiper conveniência, que também impulsiona setores como delivery, educação online e telemedicina. No fitness, essa transformação se traduz na adoção de soluções mais flexíveis, digitais e integradas à rotina doméstica.

O cenário brasileiro acompanha uma tendência global. Relatórios internacionais indicam que o mercado mundial de dispositivos e equipamentos inteligentes para fitness deve crescer de forma acelerada na próxima década, passando de US$ 61,4 bilhões em 2024 para mais de US$ 455 bilhões em 2034, impulsionado por soluções digitais, personalização por inteligência artificial e integração com dados de saúde em tempo real.

Restrições sanitárias

Embora a pandemia tenha atuado como catalisadora inicial desse movimento, especialistas apontam que o treino em casa se manteve e se fortaleceu nos anos seguintes, independentemente das restrições sanitárias.

Hoje, o home fitness faz parte de um ecossistema híbrido de bem-estar, no qual as pessoas transitam entre diferentes formatos, mas priorizam aquilo que conseguem sustentar no longo prazo.

Entre os desdobramentos esperados estão a expansão de aplicativos e soluções digitais de fitness, o fortalecimento de parcerias entre marcas e criadores de conteúdo e a integração crescente com plataformas de saúde digital.

Ao mesmo tempo, surgem desafios importantes, como a necessidade de regulamentação de serviços digitais de saúde e a atenção à qualidade e segurança dos treinos realizados fora de ambientes supervisionados.

“O futuro do fitness passa por modelos mais flexíveis, conectados e aderentes à vida real das pessoas. As empresas que conseguirem traduzir bem-estar em soluções práticas, acessíveis e sustentáveis tendem a liderar esse próximo ciclo do mercado”, reforça o CEO.


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