Quase 11 milhões de tentativas de fraudes são registradas até setembro, diz Serasa

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 25 de dezembro de 2025 às 18:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Mantido o ritmo observado, o país deve ultrapassar 14 milhões de tentativas de fraude digitais até o fim deste ano.

O Brasil registrou 10.886.982 tentativas de fraude no acumulado de janeiro a setembro de 2025, um aumento de 28,6% em relação ao mesmo período de 2024, com uma ocorrência a cada 2,2 segundos.

Os dados são do Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, e evidenciam a rápida evolução das táticas criminosas no ambiente digital na comparação anual.

A companhia projeta que, mantido o ritmo observado, o país deve ultrapassar 14 milhões de tentativas de fraude até o fim do ano. Abaixo, confira o gráfico do detalhamento mês a mês das tentativas de fraude.

Presença online

“O avanço das tentativas de fraude acompanha diretamente o crescimento das transações digitais no país. À medida que consumidores e empresas aceleram sua presença online, também se expande o espaço de atuação dos criminosos, que exploram cada ponto vulnerável das jornadas digitais”, afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Rodrigo Sanchez.

“Esse cenário reforça a necessidade de que as tecnologias antifraude evoluam no mesmo ritmo da digitalização, combinando camadas de proteção, como biometria, análise de dispositivos e comportamento, para bloquear riscos antes que se convertam em prejuízo”, completa.

Bancos e serviços financeiros concentram a maior parte das tentativas de fraude

Ao todo, bancos, emissores de cartões e instituições financeiras concentram 60% das tentativas de fraude mapeadas nos nove primeiros meses do ano. Isoladamente, o setor de “Bancos e Cartões” respondeu por 52,3% das ocorrências, enquanto as “Financeiras” representaram 7,7% do total.

Ainda de acordo com o executivo, esse recorte mostra como os fraudadores priorizam ambientes em que conseguem monetizar rapidamente as diligências, ao mesmo tempo em que exploram em outros setores.

Os segmentos de “Serviços”, “Telefonia” e “Varejo”, por serem múltiplos pontos de acesso para cadastros, assinaturas e transações online, compõem um ecossistema de risco que atravessa todo o mercado de consumo digital. Confira abaixo a distribuição das tentativas de fraude por setor entre janeiro e setembro de 2025 e a comparação com o mesmo período do ano anterior.

Golpistas visam pessoas economicamente ativas

As vítimas de 26 a 50 anos concentram, em conjunto, 58,9% de todas as tentativas de fraude mapeadas no período, evidenciando que o foco dos criminosos recai justamente sobre o público em plena atividade econômica e com maior intensidade de uso dos canais digitais.

Especificamente, consumidores entre 36 e 50 anos respondem por 33% das ocorrências, enquanto o grupo de 26 a 35 anos concentra 25,9%. Confira abaixo um gráfico com detalhamento da distribuição das fraudes por idade.

“Na prática, os dados indicam que quase seis em cada dez diligências fraudulentas miram pessoas em idade produtiva, com maior acesso a crédito, serviços financeiros e compras online. Mas é importante dizer que, embora menos presentes em volume relativo, as ocorrências que miram públicos mais jovens e mais velhos ainda são alarmantes e têm aumentado acompanhando o ritmo da aceleração da digitalização. Os golpistas estão cada vez mais espertos e usufruindo de ferramentas para fazer fraudes mais rapidamente e de maneira cada vez mais personalizada”, declara Sanchez.

Fraudes são identificadas sobretudo por checagem cadastral e validação biométrica

Na análise por modalidade de detecção, as inconsistências cadastrais seguem como principal frente de identificação das tentativas de fraude, respondendo por 51,4% das ocorrências mapeadas entre janeiro e setembro de 2025.

Em seguida, aparecem as validações ligadas à autenticidade de documentos e biometria, que concentraram 33% das diligências, enquanto os comportamentos suspeitos em dispositivos, como padrões associados a históricos de fraude, representaram 15,6% dos casos.

“Fraudadores estão o tempo todo testando novas brechas e formatos de ataque, por isso as empresas precisam estar sempre um passo à frente, combinando diferentes tecnologias de autenticação de identidade”, argumenta Sanchez.

“Uma proteção em camadas é essencial para transformar dados em proteção real, identificando as tentativas de fraude ainda na origem,” finaliza.


+ Tecnologia