Dormir no escuro total ou manter uma luz acesa? Estudo diz o que é melhor

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 20 de novembro de 2025 às 19:30
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Exposição à luz artificial à noite aumenta a atividade cerebral ligada ao estresse, inflama artérias e pode elevar o risco de doenças cardíacas

Dormir com luz acesa — seja TV, celular ou abajur — pode parecer inofensivo, mas um novo estudo mostra que isso talvez pese no coração (Foto Arquivo)

 

Dormir com luz acesa — seja TV, celular ou abajur — pode parecer inofensivo, mas um novo estudo mostra que isso talvez pese no coração.

Apresentado nas Sessões Científicas de 2025 da Associação Americana do Coração, o trabalho sugere que a exposição à luz artificial à noite aumenta a atividade cerebral ligada ao estresse, inflama artérias e pode elevar o risco de doenças cardíacas.

Os resultados ainda não foram publicados em revista científica, mas chamaram atenção pela clareza da associação entre luz noturna, estresse e impacto cardiovascular.

Como o estudo foi feito

Os pesquisadores avaliaram 450 pessoas sem doenças cardíacas ou câncer ativo. Todos passaram por exames PET/CT, capazes de medir tanto a anatomia quanto a atividade metabólica dos tecidos.

Assim, foi possível observar sinais de estresse cerebral, inflamação dos vasos sanguíneos e outros marcadores relevantes.

A quantidade de luz artificial à noite em volta de cada participante foi medida por imagens de satélite, cruzada com os dados biomédicos.

Segundo o autor sênior, Shady Abohashem, esse método ajudou a mapear uma rota biológica ligando luz noturna e risco cardiovascular.

Estresse, inflamação e risco cardíaco ampliado

Os resultados mostraram que quem estava mais exposto à luz à noite tinha maior atividade cerebral relacionada ao estresse, inflamação arterial e risco aumentado de eventos cardíacos.

Em dez anos, 17% dos participantes desenvolveram problemas graves no coração.

A cada aumento de um desvio padrão na exposição à luz, o risco de doenças cardíacas cresceu 35% em cinco anos e 22% em dez anos. As chances foram ainda maiores para quem vivia em locais com outros estressores, como ruído intenso ou baixa renda.

Os pesquisadores observaram uma relação quase linear: quanto mais luz, maior o risco. Isso porque o cérebro, ao perceber o estresse constante, ativa respostas imunológicas que inflamam os vasos sanguíneos, um processo que, com o tempo, pode levar ao endurecimento das artérias.

Como reduzir a exposição à luz artificial

Para minimizar esses efeitos, os autores recomendam manter o quarto o mais escuro possível, evitando telas antes de dormir e reduzindo fontes de luz contínuas.

Boas práticas de higiene do sono entram nessa lista, incluindo distância de eletrônicos e rotinas mais regulares.

Em nível urbano, o estudo sugere ações como diminuir a iluminação externa desnecessária, instalar sensores de movimento e usar postes melhor direcionados, evitando que a luz se espalhe para áreas residenciais.

Limitações e próximos passos

Apesar de impactantes, os resultados vêm de um estudo observacional, o que impede afirmar causalidade direta. Além disso, o trabalho analisou participantes atendidos em um único sistema hospitalar, o que limita a diversidade da amostra.

O estudo ainda passará por revisão por pares, e novas pesquisas devem aprofundar a relação entre luz artificial, estresse neurológico e doenças cardiovasculares.

Fonte: CNN


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