Sobretaxa dos EUA ameaça calçados brasileiros e setor busca negociação com governo

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 19 de julho de 2025 às 14:00
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Abicalçados pressiona por solução diplomática para manter acesso ao principal mercado exportador

O anúncio dos Estados Unidos, no último dia nove de julho, de uma sobretaxa adicional de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil — inclusive calçados — acendeu o alerta no setor calçadista nacional. A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, pode comprometer seriamente a competitividade das empresas brasileiras e afetar diretamente o acesso ao mercado norte-americano, hoje responsável por mais de 20% das exportações em dólares do setor.

Em reação à medida, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) tem mobilizado esforços junto aos governos Federal e estaduais. Segundo a entidade, é fundamental buscar uma solução rápida e eficaz por meio do diálogo, preservando os fluxos comerciais e garantindo um ambiente de negócios mais previsível.

Desde o anúncio da sobretaxa, a Abicalçados encaminhou comunicados à Presidência da República, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além de governos estaduais e federações das indústrias dos principais polos calçadistas do país.

Na manhã desta segunda-feira, 15 de julho, o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, participou de uma reunião em Brasília com representantes do Governo Federal e do setor produtivo. Conduzido pelo vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, o encontro teve como foco articular uma estratégia conjunta para reverter ou mitigar os efeitos da medida.

A proposta inicial é tentar convencer o governo dos EUA a retomar a tarifa anterior, de 10%, anunciada em abril. Caso isso não seja possível, será solicitada uma prorrogação de 90 dias na implementação da nova sobretaxa, com o objetivo de ganhar tempo para novas negociações.

Participaram da reunião ministros como Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Maria Laura da Rocha (Relações Exteriores), além de representantes das principais entidades do setor produtivo.

A avaliação unânime entre governo e empresários é que uma escalada tarifária causará prejuízos para ambos os lados, tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos.


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